Em seu acordo de colaboração, Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, considera revelar nomes de banqueiros e empresários que contribuíram para a manutenção do grupo, o que resultou em um aumento ainda maior no déficit da sua instituição, que foi encerrada pelo Banco Central.
Indivíduos próximos às tratativas relataram que Vorcaro catalogou, pelo menos, R$ 20 bilhões em operações envolvendo precatórios, projetos imobiliários e de energia conectados a fundos de investimento, incluindo disposições de “earn-out” (lucro na venda).
Esse é um recurso frequentemente utilizado em acordos de compra e venda de empresas ou de ativos financeiros, especialmente quando há divergência na avaliação do valor do bem no início. Portanto, o earn-out estabelece a chance de um pagamento extra ao vendedor caso o valor futuro se valide.
Uma empresa de bebidas, por exemplo, que tenha a capacidade de dobrar seu tamanho após uma compra, tornaria possível um pacto dessa natureza.
No que diz respeito ao Master, essas transações comerciais tiveram início após o término do mandato de Jair Bolsonaro e contemplavam a divisão de lucros futuros, caso os projetos fossem bem-sucedidos. Assim, tratava-se de investimentos de alto risco.
Em pelo menos uma situação, Vorcaro negociou um “pré-precatório” no valor de R$ 50 milhões com um banqueiro renomado do setor, que estava aguardando a definição de sua sentença judicial. Os precatórios representam dívidas da União e adquirem valor real apenas após o trânsito em julgado. Caso isso se concretizasse, as partes envolvidas dividirão R$ 1,2 bilhão.
Empreendimentos desse gênero também incluíram parques de energia solar e usinas de energia eólica, além de projetos imobiliários em etapa de desenvolvimento que fundamentaram fundos de investimento.
Existem igualmente quotas de patrocínio do Master que são trocadas por pagamentos a entidades bancárias.
De acordo com as informações, Vorcaro não deseja enfrentar a crise de forma isolada. Seu plano envolve não apenas delatar políticos — especialmente aqueles ligados ao centrão —, mas também implicar instituições financeiras que se beneficiaram das operações com o Master e que agora buscam se distanciar após a intervenção do BC que resultou na falência do banco. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações do UOL



