Durante um evento realizado no Palácio Guanabara, Cláudio Castro (PL anunciou sua despedida do cargo de governador do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (23 de março de 2026). O desembargador Ricardo Couto, que é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, passa a ocupar temporariamente a liderança do Estado.
A saída de Castro ocorre um dia antes do reinício do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral. Na terça-feira (24 de março de 2026), o TSE irá avaliar os recursos contra a decisão de absolvição do ex-governador, em uma ação que investiga supostas práticas de abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022. O placar do julgamento até agora está em 2 a 0 favorável à condenação.
A renúncia é uma tática utilizada para evitar a perda do cargo. Se for considerado culpado, Castro poderá ser removido do seu posto pelo Tribunal Eleitoral. Ao renunciar, o processo pode, em termos jurídicos, “perder o objeto”, permitindo que o governador evite a condenação. “Deixo o cargo com total dignidade. Estou saindo com a melhor aceitação, liderando as pesquisas para o Senado”, declarou Castro em uma entrevista. O político é o candidato preferido para a eleição senatorial no Rio de Janeiro, com 23% das intenções de voto, conforme a pesquisa da Real Time Big Data divulgada em 11 de março.
Eleição indireta
Desde maio de 2025, o Rio de Janeiro está sem vice-governador, depois que Thiago Pampolha deixou o cargo para se tornar conselheiro no Tribunal de Contas do Estado. Com a falta do vice, a lei estipula que o presidente do Tribunal de Justiça assuma temporariamente a governança. Ricardo Couto deverá organizar uma eleição indireta na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) para selecionar um governador que atuará até o final do mandato.
No caso envolvendo Cláudio Castro, o TSE está avaliando uma apuração do Ministério Público Eleitoral do Rio de Janeiro, que revelou a contratação de 27 mil funcionários temporários de forma opaca. O MP alega que esses trabalhadores foram designados ao Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro) e à Uerj (Universidade do Estado do Rio), ocupando cargos que favoreceram colaboradores de Castro durante a época das eleições.
O Ministério Público afirma que houve a utilização imprópria de recursos públicos e abuso de autoridade política. Rodrigo Bacellar (União), que está afastado da presidência da Alerj, também enfrenta acusações no caso. De acordo com o MP, Bacellar esteve envolvido no esquema. (Foto: O Globo)
Por Opinião em Pauta com informações de O Dia



