Brasil pode se unir aos EUA em minerais críticos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta segunda-feira (18) que é essencial para o Brasil acelerar o levantamento e a exploração de minerais raros e críticos em seu território.

Os elementos terras raras consistem em um conjunto de 17 elementos químicos que têm grande aplicação na indústria tecnológica, especialmente por suas características magnéticas e ópticas. Embora sejam chamados de raros, esses elementos não são, de fato, escassos; a verdadeira dificuldade está na sua extração, uma vez que estão dispersos e combinados com outros minerais. Eles desempenham um papel crucial em dispositivos como smartphones, turbinas, baterias e também nas áreas de defesa militar.

O Brasil detém a segunda maior reserva de elementos raros do planeta e encara o desafio de avançar para a fase industrial, que é predominantemente dominada pela China, responsável por 90% do processamento global desses materiais.

Ao abordar a concorrência comercial e tecnológica no contexto global, Lula expressou a esperança de que o presidente norte-americano, Donald Trump, cesse suasdesavenças” com o líder da China, Xi Jinping, e se una ao Brasil em iniciativas voltadas para essa área.

O presidente destacou, entretanto, que a nação não abdica da sua soberania em relação aos recursos minerais.

As afirmações foram feitas durante a cerimônia de inauguração das novas linhas do acelerador de partículas Sirius, em Campinas (SP). Nesse evento, Lula destacou que o Brasil está receptivo a colaborações internacionais e mencionou diversos países ao apoiar investimentos na área.

Vivemos tempos em que as terras raras e os minerais essenciais estão em evidência, e o Brasil possui apenas 30% de compreensão sobre os recursos que abriga em sua vasta extensão. Será necessário realizar um levantamento completo de todo o território nacional. Eu fiquei refletindo: quais são as contribuições que o Sirius pode nos proporcionar? Afinal, se depender de estudos que exigem escavações, isso levará bastante tempo“, comentou Lula.

 

Explorar em território nacional

Vamos precisar da inteligência e da expertise de vocês para avançarmos e, em um período curto, conseguirmos que Trump pare de conflitar com Xi Jinping e se una a nós para que possamos explorar esta oportunidade“, declarou.

O presidente declarou que não existe proibição ou favorecimento a nenhum país, afirmando que tanto chineses, alemães, franceses, japoneses, americanos ou qualquer outra nacionalidade são bem-vindos, desde que entendam que o Brasil não abdica de sua soberania. Ele ressaltou que os minerais críticos e as terras raras pertencem ao Brasil e que o país deseja explorá-los em seu território..

Recentemente, Lula se encontrou com Trump na Casa Branca. O líder do PT afirmou que, durante a conversa que durou quase três horas, informou ao presidente dos EUA que o investimento americano no Brasil diminuiu, sendo substituído pela presença da China.

Neste ano, os Estados Unidos ofereceram a diversos países uma colaboração focada na exploração de minerais críticos e terras raras. No entanto, o Brasil dispensou essa proposta, por considerar que ela contrariava princípios relacionados à sua soberania.

Lula tem enfatizado que quaisquer colaborações nesse setor devem manter a soberania nacional sobre os recursos minerais. Além disso, o governo pretende que a extração de terras raras adote um modelo distinto daquele utilizado tradicionalmente para commodities, como ouro e minério de ferro.

De acordo com o presidente, a proposta é realizar o processamento e a transformação desses minerais em solo brasileiro, com o objetivo de fomentar o progresso tecnológico, aumentar o valor da produção e elevar a riqueza gerada no país.

Cursos universitários exclusivos

Durante o mesmo evento realizado em Campinas, Lula destacou que diversos jovens optam por cursos universitários com foco exclusivo nas exigências do mercado de trabalho, mencionando a medicina como um exemplo ilustrativo.

“Não devemos permitir que o mercado decida o futuro acadêmico dos jovens. Muitas pessoas que cursam medicina não têm a intenção de atuar no Sistema Único de Saúde (SUS), mas sim de abrir suas próprias clínicas e obter altos lucros“, declarou o presidente.

Ao apoiar a alocação de recursos em ciência e educação, o presidente afirmou que é responsabilidade do governo reconhecer as demandas da nação e direcionar a capacitação de trabalhadores em setores fundamentais. (Foto: Canal Gov)

Por Opinião em Pauta com informações do G1

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