Delação de Vorcaro aponta funções de Flávio Bolsonaro e Dark Horse

O caso Master ganhou um desdobramento impactante na tarde desta segunda-feira (18). O jornalista e comentarista Octavio Guedes, da GloboNews, trouxe à tona uma nova informação sobre a situação que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. De acordo com Guedes, a controversa transferência de R$ 61 milhões para o senador, supostamente destinada ao financiamento do filme Dark Horse, já está documentada oficialmente na proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro.

A tática que fundamenta a adição desse anexo, entretanto, é muito mais do que uma simples admissão: é uma manobra política precisa destinada a pressionar o relator do processo no Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça.

No programa EstúdioI, Octavio Guedes elucidou como a referência ao filho zero um de Jair Bolsonaro (PL) foi estruturada para formar um complexo labirinto ético e político para Mendonça, o juiz que foi nomeado para a Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, conhecido como terrivelmente evangélico e que demonstra uma forte lealdade ao clã.

“As informações que possuo indicam que o filme e o valor destinado a Flávio Bolsonaro estavam, ou ainda estão, incluídos na proposta de delação do Vorcaro. Portanto, essa narrativa sobre o filme foi considerada uma estratégia para pressionar o ministro André Mendonça. É importante notar que Ciro Nogueira não possuía as evidências necessárias para se pronunciar sobre ele mesmo; não informações sobre Alcolumbre, mas não se sabe se existem ou não provas contra ele. No entanto, é bem provável que haja algo em relação ao Ciro. A questão é: por que proteger o Ciro e deixar o Flávio em evidência? Essa interpretação sugere que poderia ser uma forma de pressionar André Mendonça a rejeitar a delação, pois, se ele decidir não aceitar, isso seria visto como uma entrega de Flávio Bolsonaro. Isso poderia deixá-lo em uma situação delicada. Ao afirmar que não deseja a delação, poderiam argumentar que é porque envolve Flávio Bolsonaro, especialmente considerando que ele foi indicado por Bolsonaro“, comentou Guedes.

 

PF tem mais informações do que a delação

Ao concordar com a delação que envolve Flávio Bolsonaro, Mendonça inicia uma apuração que restringe as ações da família que o elevou ao STF. Caso a rejeite, mesmo que por razões legalmente válidas ou por falta de provas substanciais, será prontamente acusado pela sociedade e pela oposição de agir como um protetor do filho do ex-presidente.

A estratégia do banqueiro, no entanto, enfrenta o progresso das investigações da Polícia Federal, que já traçou o fluxo financeiro do Banco Master e as ligações de Vorcaro em Minas Gerais e Brasília. Segundo o analista da GloboNews, o ministro do STF não deve se deixar enganar com facilidade por essa manobra.

“O André Mendonça tem consciência de que o que foi proposto representa menos de 10% do conhecimento que ele já possui através da Polícia Federal”, acrescentou o repórter.

Além do xadrez jurídico, o núcleo do esquema abrange uma rede que combina o mercado financeiro, operações fraudulentas bancárias e o setor de entretenimento. Investigações anteriores, monitoradas de perto pela Fórum, indicam que a transferência de grandes quantias por Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro foi encoberta por meio de contratos com a produtora do filme Dark Horse.

A companhia teria recebido a quantia de R$ 61 milhões em sua conta nos Estados Unidos, alegando que se tratava de financiamento e produção de filmes. No entanto, o tamanho do valor, a celeridade das operações e a total falta de ligação do senador com o setor cinematográfico levantaram suspeitas nas entidades de controle financeiro, como o Coaf e a Polícia Federal. Os investigadores indicam que essa quantia pode ser um possível pagamento de corrupção ou uma venda de influência política, com o intuito de beneficiar os interesses do Banco Master perante fundos de pensão e instituições governamentais na administração anterior.

Com as informações expostas, a oferta de delação de Vorcaro transforma-se de um simples documento legal em uma ferramenta de pressão política, colocando o STF e a família Bolsonaro novamente sob os holofotes da controversa situação. (Foto: FolhaPress)

Por Opinião em Pauta com informações da GloboNews

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