Henrique Acker – O governo federal lançou na segunda-feira, 10 de agosto, o Desenrola Adimplentes. O programa é direcionado basicamente a trabalhadores informais, com atrasos em até 90 dias no pagamento de empréstimos pessoais, num valor máximo de renegociação de R$ 15 mil.
No entanto, mesmo com R$ 3 bilhões dos cofres da União disponíveis, através do Fundo de Garantia de Operações (FGO), os bancos privados ainda não aderiram ao programa.
Por enquanto, o Desenrola Adimplentes será impulsionado somente pelo Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. O programa de renegociação de dívidas oferece uma taxa de juros de 1,9% ao mês, bem abaixo da média de 8% cobrada pelo mercado financeiro.
Banqueiros desconversam
Apesar da nota da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmar que “algumas condições do formato final evoluíram de maneira positiva em relação às discussões iniciais, aumentando a previsibilidade e a possibilidade de implementação pelas instituições financeiras”, os bancos privados resistem a participar do programa.
Marcelo Noronha, dirigente do Bradesco, afirmou que a instituição está mais distante de participar da iniciativa. Já Milton Maluhy Filho, do Itaú, declarou que o banco avalia a possibilidade de atender clientes que estejam em atraso curto, de até 89 dias.
O Santander também informou que analisa uma eventual participação no programa, mas não estabeleceu prazo para definir uma posição.
Estímulo ao “calote”
O setor financeiro enxerga no Desenrola Adimplentes um estímulo a calotes de dívidas bancárias. No entanto, o programa tem abrangência limitada e atende a dívidas de pequena monta.
Em declaração à reportagem do Canal UOL, em maio deste ano, o presidente da Febraban, Isaac Sidney expôs com clareza o motivo da resistência dos bancos privados em aderir ao Desenrola Adimplentes.
Segundo Sidney, a redução dos encargos de uma operação de crédito que não está em atraso, “praticamente vai anular a rentabilidade”. Ou seja, os juros baixos reduzem com os ganhos dos bancos.
Juros altos são a raiz do problema
A desconfiança dos porta-vozes de bancos privados se choca com a realidade de 82% das famílias brasileiras endividadas, como revelou o estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC), publicado em julho deste ano.
Para o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, os programas de renegociação de dívidas são um passo, mas não atingem a raiz do problema “que é o elevado custo do crédito no Brasil.”
De acordo com a pesquisa, o vilão do endividamento continua a ser o cartão de crédito: 85% das famílias endividadas têm dívidas no cartão. Em seguida vêm os carnês, com 16% dos endividados recorrendo a essa modalidade de crédito. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações de O Globo, UOL Notícias, Exame e A Tarde.



