Após tarifaço, Lula vence Bolsonaro nas redes sociais

O aumento de tarifas aplicado pelos Estados Unidos aos produtos do Brasil gerou uma repercussão instantânea nas plataformas digitais: deu suporte à narrativa do presidente Lula e colocou em evidência o maior desgaste online sobre o senador e pré-candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro. Isso é revelado por um estudo exclusivo da Ativaweb DataLab, que avaliou as primeiras 24 horas após a implementação da ação.

De acordo com a pesquisa, o evento resultou em 21.453.002 citações e interações online, indicando que a conversa rapidamente migrou do aspecto econômico para se tornar uma controvérsia política sobre quem deveria arcar com a culpa pela crise.

Segundo a Ativaweb, Lula conseguiu se destacar na primeira fase da batalha narrativa ao ser vinculado à proteção da soberania do país, ao sistema Pix e à resposta do Brasil às ações do governo de Donald Trump. Por outro lado, Flávio Bolsonaro enfrentou um significativo desgaste de imagem, favorecido pela propagação do termo “TariFlávio”, que circulou nas redes sociais para responsabilizar a família Bolsonaro pelo impasse entre o Brasil e os Estados Unidos.

Uma das questões que o estudo ressaltou foi a evolução do Pix como um ícone da soberania do Brasil. Embora a pesquisa dos EUA se concentre no comércio eletrônico e nas plataformas de pagamento, a ferramenta começou a ser vista nas mídias sociais como um bem nacional e uma demonstração da habilidade do Brasil em criar sua própria infraestrutura pública.

A pesquisa também revelou um alto nível de apoio à Lei da Reciprocidade, que foi sancionada pelo Congresso, sugerindo que há um respaldo para a resposta do Brasil às ações dos Estados Unidos. Paralelamente, a iniciativa da oposição de promover a narrativa “Faz o L” demonstrou uma eficácia de mobilização inferior em comparação à responsabilização direcionada a Flávio Bolsonaro.

Segundo Alek Maracajá, diretor da Ativaweb DataLab, o efeito mais significativo da crise se manifestou antes dos impactos econômicos. “O aumento das tarifas afetou as exportações brasileiras, mas o impacto inicial foi na imagem digital. Nas mídias sociais, a luta não girava em torno de tarifas ou comércio internacional. O foco estava em quem seria visto como o verdadeiro defensor do Brasil e quem arcaria com as consequências da crise. Nos primeiros 24 horas, Lula saiu vitorioso nesse embate, enquanto Flávio Bolsonaro enfrentou o maior desgaste”, diz ele.

Segundo Maracajá, o acontecimento destaca uma transformação na forma como se dá a comunicação política. “No século XXI, as disputas comerciais são decididas não só em negociações formais, mas também nos algoritmos das mídias sociais. Aqueles que dominam a narrativa têm o poder sobre a percepção do público”, afirma. (Foto: Montagem / Reprodução)

Por Opinião em Pauta com informações da Veja

Relacionados

plugins premium WordPress