Ligeira melhora não esconde situação crítica da educação escolar no Brasil

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB de 2025, divulgados em 5 de agosto de 2026, comprovam a mediocridade do ensino público e privado no país. Apesar da ligeira melhoria nas médias em relação ao levantamento anterior, o resultado confirma o descaso das autoridades estaduais e municipais com a formação educacional no país.

Afinal, 29% da população não sabem ler e nem escrever. Isso quer dizer que a cada dez brasileiros com idade entre 15 e 64 anos, três são analfabetos funcionais. Apenas 10% da população é capaz de dominar as operações matemáticas e o uso da língua de forma prática e interpretativa. Os dados são do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgados em maio de 2025.

 

Analfabetismo funcional

O grupo dos chamados analfabetos funcionais também abrange os indivíduos que não conseguem compreender pequenas frases ou identificar os números.

A pesquisa Inaf mostrou que 36% da população está no nível elementar. Trata-se do grupo que compreende textos de extensão média, realizando pequenas interferências e resolve operações matemáticas básicas como soma, subtração, divisão e multiplicação.

O domínio e interpretação de texto, assim como das operações matemáticas, são ferramentas elementares para capacitar o indivíduo a desenvolver senso crítico e alcançar uma formação intelectual consistente.

 

IDEB tem pequena melhora

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB de 2025, divulgados em 5 de agosto de 2026, escancaram a crise do ensino básico e médio no Brasil.

O IDEB é calculado com base em provas de Matemática e Português e nas taxas de aprovação escolar, envolvendo estudantes dos níveis fundamental e médio das redes pública e privada em todo o país.

Numa escala de 0 a 10, a média nacional da primeira à quinta série do ensino fundamental foi de 6,3. Da quinta à oitava série, a média nacional foi de 5,3 sobre 10. Já no ensino médio o resultado é ainda mais desastroso: a nota média nacional alcançou 4,5 sobre 10.

. Fundamental 1 (1º ao 5º ano): a média geral subiu de 6 para 6,3. Na rede pública, de 5,7 para 6,1.

. Fundamental 2 (6º ao 9º ano): a média geral subiu de 5 para 5,3. Na rede pública, de 4,7 para 5.

. Ensino médio: a média geral subiu de 4,3 para 4,5. Na rede pública, de 4,1 para 4,3.

Chama a atenção que as médias das notas no ensino privado também são fracas nos três segmentos do ensino: Fundamental 1: média de 7,1 sobre 10; Fundamental 2: média de 6,4 sobre 10; Ensino Médio: média de 5,8 sobre 10.

 

 

Longe do ensino em tempo integral

A ligeira melhoria das médias em 2025 revela apenas uma tendência de retomada dos patamares anteriores à pandemia de covid-19, mas também reflete as altas taxas de aprovação, outro critério levado em conta para compor o IDEB.

O pequeno avanço das notas médias nas escolas públicas pode ser atribuído ao programa Pé de meia, instituído pelo governo Lula em janeiro de 2024. O Programa concede um auxílio mensal de R$ 200,00 a alunos de baixa renda que frequentam as aulas. Trata-se de um incentivo contra a evasão escolar no setor público.

O país ainda está longe de fazer do ambiente escolar um atrativo para crianças e adolescentes. Um dos pontos que explicam a fragilidade do ensino é a carga horária nas escolas, prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

De acordo com a legislação em vigor, os estudantes das escolas públicas devem permanecer o mínimo de quatro horas por dia, num total de 800 horas por ano nos ensinos fundamental e médio. Ainda assim, a carga horária mínima nem sempre é cumprida, pela falta de professores ou problemas de segurança na localização das escolas.

 

Baixos salários

A degradação do ambiente escolar, com material básico não renovado e sem manutenção adequada (salas, carteiras, equipamentos, banheiros, etc), é outro problema. O desvio de verbas e os contratos superfaturados com empresas privadas para fornecimento de merenda escolar e uniformes são exemplos da má gestão em grande parte dos estados e municípios.

Os baixos salários pagos aos servidores, obrigam os professores a acumular matrículas nas redes pública e privada. A média salarial paga a professores do ensino fundamental no Brasil varia de R$ 2.500 a R$ 6.000, para 40 horas semanais, dependendo da rede de ensino e região.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) apontam que um professor do ensino fundamental com carga horária média de 30 horas semanais recebe cerca de R$ 3.346,88. No ensino privado a média salarial varia de R$ 2.500 e R$ 4.000, dependendo do regime e da carga horária contratual.

Entre especialistas, há quem defenda a federalização e centralização do ensino público pelo Ministério da Educação, tomando como base as experiências bem-sucedidas das escolas técnicas, Institutos de Educação e colégios como o Pedro II.

 

Por Henrique Acker (jornalista e colunista) com informações de CNN Brasil, UOL, Portal Salário, gov.br, Inal (analfabetismofuncional.org.br) e QEdu.

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