O momento dificilmente poderia ser mais desfavorável. Às vésperas da convenção nacional do PL, marcada para este sábado (25), que oficializará Flávio Bolsonaro como candidato do partido à Presidência da República, a divulgação da mais recente pesquisa Datafolha impôs um duro revés às pretensões da legenda. O levantamento, publicado nesta sexta-feira (24), mostra que o presidente Lula ampliou sua vantagem sobre o adversário e chega ao início oficial da campanha em posição mais confortável.
Segundo o instituto, Lula aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 32%, abrindo uma diferença de oito pontos percentuais. Em relação ao levantamento de junho, ambos oscilaram negativamente um ponto, sem que isso provocasse crescimento relevante entre os demais concorrentes.
A chamada terceira via continua sem conseguir romper a polarização. Ronaldo Caiado (PSD), que tenta se apresentar como a alternativa mais competitiva da direita, alcançou apenas 4%, um ponto acima do registrado anteriormente. Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) aparecem empatados com 3% cada, permanecendo distantes da disputa efetiva pelo Palácio do Planalto.
O cenário também não favorece a tese de que uma candidatura unificada da direita teria força suficiente para derrotar Lula no segundo turno. Na simulação feita pelo Datafolha, o presidente ampliou sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro: passou de quatro para cinco pontos percentuais, alcançando 48% das intenções de voto, contra 43% do candidato do PL.
Paradoxalmente, os números consolidam a permanência de Flávio Bolsonaro na disputa, circunstância que tende a ser conveniente para a estratégia do presidente. O senador continua enfrentando desgastes provocados por investigações e controvérsias políticas, além da dificuldade de ampliar sua base de alianças. Até o momento, sequer conseguiu definir o nome que ocupará a vaga de vice em sua chapa.
Com isso, a tendência é que Flávio Bolsonaro entre na campanha obrigado a dedicar boa parte de seu tempo à defesa de sua própria candidatura e à resposta a questionamentos, em vez de concentrar esforços na apresentação de propostas. Enquanto isso, Lula procura ocupar a agenda política com temas como a defesa da soberania nacional e medidas econômicas voltadas à proteção dos setores produtivos afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. No retrato captado pelo Datafolha, o ambiente eleitoral permanece mais favorável ao atual presidente à medida que a campanha se aproxima. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta – Redação


