O Ministério Público do Distrito Federal declara que a influenciadora Virginia Fonseca esteve envolvida em uma “estratégia organizada e sistemática” do site de apostas Blaze para atrair apostadores durante a Copa do Mundo de 2026.
A fundamentação está presente na ação civil pública protocolada nesta quarta-feira (8) em face de Virginia e da Blaze.
O registro aponta que Virginia levou seus apoiadores a cometer um engano ao promover apostas na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina, ocorrida na última sexta-feira (3), durante a fase eliminatória do campeonato.
No vídeo, a influenciadora expressou que estava “animada” com a expectativa de que o goleiro de Cabo Verde, Vozinha, conseguiria “defender todas”.
- De acordo com o Ministério Público, na data do jogo, a influenciadora postou um vídeo em que parecia estar apoiando a vitória de Cabo Verde em relação à Argentina;
- Conforme o Ministério Público, o material não foi identificado como sendo publicidade.
- “Conforme era de se aguardar, a equipe da Argentina triunfou no jogo (3 a 2), resultando em prejuízo total para os apostadores que acataram a orientação“, afirma o Ministério Público.
- O Ministério Público sustenta que Virginia recorreu a uma retórica emocional de “esperança” para persuadir seus apoiadores a adotarem atitudes que resultariam em prejuízos financeiros, sem revelar as chances reais envolvidas.
“As investigações revelam que as ações de Virginia Fonseca não foram isoladas. Ela faz parte de um esquema sistemático e organizado de atração de apostadores promovido pela Blaze durante a Copa do Mundo de 2026. A plataforma implementou uma estratégia publicitária coordenada que coincidiu com os jogos, aproveitando a intensa carga emocional e o envolvimento do público gerado pelo torneio para estimular o consumo impulsivo”, declara a entidade.
Em comunicado, a equipe de defesa da influenciadora Virginia Fonseca afirmou que “negará as acusações apresentadas na ação, especialmente qualquer sugestão de conluio, comportamento predatório ou intenção de prejudicar os consumidores” (texto completo ao final da matéria).
Em comunicado, a Blaze declara que não recebeu intimação formal e que “continua dedicada à transparência e ao cumprimento das leis e normas existentes no país”.
Entre diversas providências, a iniciativa do Ministério Público solicita, em caráter de urgência, que Virginia exclua de suas mídias sociais qualquer material promocional vinculado a jogos de aposta que:
- prometa ganhos impossíveis;
- leve o consumidor a um equívoco;
- incentive apostas em equipe, competição ou situação esportiva particular;
- empregue propaganda encoberta em conteúdos de caráter pessoal, familiar, de turismo ou similares, sem uma identificação clara e evidente de sua natureza promocional.
Manifestação do MP
Virgínia na Comissão Parlamentar de Inquérito das Apostas — Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Conforme a ação do Ministério Público, que foi acessada pela reportagem, existem indícios de “ações abusivas, retenção contínua de quantias e imposição de metas de apostas que parecem ser irreais“.
A abordagem é fundamentada em duas frentes de pesquisa que ocorrem de maneira paralela:
- a recepção de relatos de consumidores acerca da retenção recorrente de montantes depositados, congelamento de contas e fornecimento de justificativas superficiais;
- e a aquisição de um relatório técnico que contém mais de 42 mil queixas registradas sobre a plataforma.
O Ministério Público solicita uma compensação por danos morais em grupo, no valor mínimo de R$ 120 milhões.
De acordo com a ação, as investigações começaram em 2023, quando a Blaze estava em funcionamento sem a devida autorização do governo federal.
Conforme informado pelo MP, o foco central dessas campanhas prejudiciais são pessoas em condição de hipervulnerabilidade financeira, que são cativadas pela “falsa promessa de ‘renda complementar‘ e pela relação emocional com as personalidades públicas envolvidas“.
Com o intuito de viabilizar a coleta e a avaliação das ações publicitárias da Blaze, membros do Ministério Público do Distrito Federal inscreveram-se na plataforma para acompanhar as campanhas da empresa. Segundo informações recebidas pela reportagem, há um envio regular de e-mails promocionais.
CPI das Bets
Em maio de 2025, Virginia Fonseca esteve presente na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, no Senado Federal, chamada a depor como testemunha e discutiu os anúncios que realizou para companhias de apostas.
Durante seu testemunho, a influenciadora afirmou que não se sente culpada pelos anúncios e que não consegue auxiliar os seguidores que solicitam ajuda.
Durante seu testemunho, Virginia mencionou ainda:
- que sempre respeitou as leis e informou seus seguidores sobre os perigos das apostas;
- que os acordos não apresentam a denominada “cláusula da desgraça” – que assegura aos influenciadores uma porcentagem referente às perdas dos apostadores;
- que não utiliza sua própria conta de apostadora para filmar os vídeos promocionais;
- que ainda possui um acordo de patrocínio com a Blaze, mas não mantém mais parceria com a Esportes da Sorte. (Foto: Instagram)
Por Opinião em Pauta com informações da FolhaPress



