Uma pesquisa realizada pela Ranqia acompanhou as reações do ChatGPT em português, no Brasil, e em japonês, no Japão, em relação aos jogos eliminatórios desta segunda-feira (29) na Copa do Mundo de 2026, e todos concordaram que a Seleção Brasileira venceria por 2 a 1.
As informações disponíveis na internet em ambos os idiomas, que foram reunidas pelo ChatGPT, apresentam um resultado semelhante de 2 a 1 a favor do Brasil. O placar mais comum é também o mais simples de relatar, apresentando uma probabilidade real que varia entre 10% e 20% de se concretizar.
No dia 26 de junho, a Ranqia, uma plataforma que analisa respostas de inteligência artificial, publicou uma pesquisa que avaliou o que o ChatGPT diz quando questionado sobre uma partida entre Brasil e Japão.
A abordagem considerou dois acompanhamentos utilizando amostras reais de respostas: um realizado no Brasil, com questões em português, e outro no Japão, em japonês. Seis temas foram analisados, abrangendo desde a previsão de resultados até a formação das equipes.
A semelhança é praticamente completa. O Brasil, com 2 a 1, lidera com 89,5% das menções, alcançando 97% em português e 82% em japonês. Vinícius Júnior é mencionado como o provável autor do primeiro gol em 100% das referências em ambas as línguas.
Esse resultado tão frequente apresenta, conforme as próprias respostas do modelo de inteligência artificial generativa, entre 10% e 20% de probabilidade de se concretizar.
O padrão identificado pela pesquisa é o de um narrador. O ChatGPT revela que o Brasil conquista a vitória por uma margem estreita, o time considerado azarão ganha respeito e o jogador brasileiro se destaca. Assim, o resultado tende a se repetir. Essa alta repetitividade indica uma falta de originalidade, e a frequência dos resultados reflete mais o estilo habitual do modelo ao comentar sobre futebol do que a partida em si.
A linguagem altera a forma da resposta, mas a conclusão se mantém a mesma. No japonês, os resultados oferecem uma variedade maior de opções, permitindo resultados como 1 a 0, 2 a 0, empates e até um Japão 2 a 1, que se destaca como a única exceção registrada na pesquisa. Já em português, os dados se limitam ao 2 a 1. A localização influencia o nível de incerteza que o modelo aceita, mas a ideia principal permanece sem alterações.
Influenciar o resultado
A predominância de um único nome é a característica mais evidente. Vinícius Júnior é o primeiro jogador mencionado em todas as respostas, sendo considerado o melhor atleta do Brasil nas perguntas feitas em japonês e figura constante na formação provável.
A proeminência de Vinícius não se deve apenas à possibilidade concreta de ele influenciar o resultado do jogo, mas também à sua forte presença na mídia, ao reconhecimento mundial e à facilidade de associar seu nome ao conceito de “talento brasileiro”. Dessa maneira, as IAs generativas operam, refletindo a média do que é veiculado.
Entretanto, a descoberta mais valiosa para compreender a máquina está na formulação da questão. Ao questionar quem se destaca após 90 minutos, os resultados mostram que o Brasil tem 59,5%, o empate representa 23,3%, e o Japão surge com 19,6%.
Ao transformar a questão em relação a quem progride, o Brasil alcança 68,3% e o Japão, 31,4%. Isso acontece porque o empate é eliminado e redistribuído em uma prorrogação e cobranças de pênaltis. O jogo permanece o mesmo, mas muda a forma de análise. Uma parte do que se aparenta ser a certeza da IA é, na realidade, uma reflexão de seu funcionamento. Alterar a formulação da pergunta resulta em respostas distintas.
A legitimidade da resposta é proveniente de uma combinação de origens. A Reuters destaca-se com 24% das menções, seguida pelo Houston Chronicle com 13%, UOL com 7%, Goal com 6% e Guardian com 5%, além de FIFA, Forebet e Oddschecker. Essas fontes pertencem a três categorias diferentes: agência de notícias, mídia esportiva e casa de apostas.
Fácil acesso
O modelo integra tudo como se cada elemento fosse uma prova autônoma. Ter mais fontes não significa maior autonomia. Uma casa de apostas impacta a mídia, que por sua vez molda a visão pública, e essa visão retroalimenta a cobertura, enquanto a inteligência artificial organiza tudo como se cada parte tivesse sua própria voz.
A conclusão pode aparentar um consenso, uma vez que referenciar uma fonte não garante que ela influenciou a resposta. O ChatGPT pode mencioná-la apenas por ser de fácil acesso.
O aspecto que atrai aqueles que atuam na área de mídia vai além do universo do futebol. Atualmente, milhões de indivíduos solicitam a uma inteligência artificial que interprete o mundo, e a tecnologia responde com a explicação mais simples de ser repetida.
Para o fã que questiona, seja em português ou japonês, o ChatGPT oferece a mesma partida. Alterar essa expectativa está menos relacionado ao jogo em si e mais às referências e à maneira como o modelo interpreta as informações. O que está em jogo é a narrativa que se dissemina. (Foto: AFP)
Por Opinião em Pauta com informações da BBC


