O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se posiciona como pré-candidato à Presidência da República, teria tratado de ações ilegais com Marco Rubio, secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos. A informação foi ressaltada pela jornalista Maria Cristina Fernandes em sua coluna no jornal Valor Econômico, publicada na última sexta-feira (26).
Em uma correspondência dirigida ao legislador da extrema direita, o parceiro do governo de Donald Trump menciona a “generosa proposta” que supostamente foi apresentada pelo senador para “disponibilizar uma equipe de transição para nós”. “Se o senhor for eleito”, incluiu Rubio na carta.
Na legislação do Brasil, a montagem de uma equipe de transição é permitida apenas entre o governo atual e o que está prestes a assumir. Esse processo foi estabelecido por meio de uma lei e um decreto durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso em 2002, ano da primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A legislação determina a criação de 50 posições comissionadas para coletar informações de órgãos da administração pública federal, visando a preparação das medidas iniciais do novo governo.
No dia 23 de junho, o senador Flávio Bolsonaro recebeu a correspondência de Rubio e, ainda naquela data, encaminhou ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) um pedido para integrar a audiência pública referente às tarifas sugeridas pela administração de Donald Trump contra o Brasil, agendada para o dia 6 de julho.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil declarou que o Itamaraty tem se envolvido em diálogos diretos entre as administrações para elucidar a parceria comercial entre o Brasil e os Estados Unidos, considerando o pedido de Flávio dentro do contexto de uma “traição à nação”.
“Os traidores da nação não terão sucesso em mudar o curso da história. O Brasil é ciente de que o aumento das tarifas surge de uma tentativa de interferência externa no sistema judiciário brasileiro. […] Aqueles que traíram a nação devem ao Brasil uma retratação pelos encargos e pelos danos infligidos a milhares de cidadãos brasileiros”, enfatizou o ministério liderado pelo chanceler Mauro Vieira.
Na sexta-feira (26), após a divulgação da carta, diversas lideranças, incluindo o chefe do Partido dos Trabalhadores na Câmara, Pedro Uczai (SC), e os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ), Carlos Zarattini (PT-SP) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), também se manifestaram sobre o conteúdo do documento, reiterando a defesa da soberania do Brasil e expressando desapreço pelas manobras realizadas pela família Bolsonaro em parceria com o governo do presidente dos EUA, Donald Trump.
Entenda
No início de junho, o USTR apoiou a imposição de tarifas de 25% sobre alguns produtos oriundos do Brasil. Além disso, a entidade fez críticas ao Pix e alegou, sem fornecer evidências, que o governo brasileiro estaria utilizando práticas comerciais ilegais.
No começo deste mês, os Estados Unidos designaram as gangues brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. Essa decisão possibilitou a imposição de sanções e intensificou as tensões diplomáticas entre Brasília e Washington.
O contexto da agressão promovida pelos Estados Unidos está vinculado a decisões do sistema judiciário brasileiro referentes a uma tentativa de golpe. O Supremo Tribunal Federal sentenciou 29 indivíduos no inquérito relacionado ao complô golpista. Jair Bolsonaro (PL) foi o mais penalizado, recebendo uma condenação de 27 anos de reclusão.
O STF também proferiu mais de 1.400 sentenças no inquérito relacionado aos eventos golpistas ocorridos em 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram o Palácio do Planalto, que abriga o gabinete do presidente, assim como o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional.
No mês de novembro de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impôs uma penalização de R$ 22,9 milhões ao PL, o partido de Jair Bolsonaro, após a sigla ter levantado dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações do Valor Econômico



