Reunião na França revela fragilidades do G7

Henrique Acker – A reunião de Évian, na França, evidenciou a fragilidade e a instabilidade do Grupo de países do G7, formado por EUA, França, Alemanha, Canadá, Itália, Japão e Reino Unido. É o que se pode concluir das resoluções genéricas e apelos vagos aprovados no encontro realizado entre 15 a 17 de junho.

O G7 reúne as nações tidas como mais desenvolvidas do mundo. Somadas, elas acumulam uma riqueza de US$ 43,5 trilhões – cerca de 43% do PIB mundial -, pela estimativa do Banco Mundial. No entanto, além de não corresponder à realidade do cenário político e econômico internacional do século XXI, o grupo enfrenta divergências internas.

 

Contradições e omissões

As resoluções da reunião do G7 reforçam o apoio à Ucrânia na luta por sua soberania, sem fazer qualquer menção ao direito do povo palestino à sua pátria. Citam a soberania territorial do Líbano e o apoio à reconstrução de Gaza, mas não apontam qualquer providência para sancionar ou frear os massacres promovidos por Israel.

O G7 defende a autodeterminação de Taiwan, ao mesmo tempo em que se preocupa com o programa nuclear e de mísseis balísticos da Coréia do Norte. No entanto, não expressa nada sobre o boicote econômico contra Cuba, o sequestro do presidente da Venezuela e a soberania da Groenlândia, território sob administração da Dinamarca.

No texto aparecem apenas expressões como “compromisso com a cooperação multilateral”, “promover o crescimento econômico, a resiliência e o desenvolvimento” e “alcançar prosperidade compartilhada” com as demais nações.

A reunião estabeleceu uma aliança não vinculativa do G7 para a produção de minerais críticos. Isso significa que nem mesmo os membros do grupo estão obrigados a seguir as preocupações externadas com a administração e a exploração das chamadas terras raras.

O documento também cita o tráfico internacional de drogas. Os líderes do G7, apoiados pelo Brasil e pela República da Coreia como parceiros do G7, comprometeram-se a intensificar a luta contra o narcotráfico. No entanto, não há medidas concretas para combater a lavagem de dinheiro arrecadado por esses grupos, através do sistema financeiro internacional.

 

Problemas urgentes ficaram de fora

Não há uma resolução concreta sobre o combate ao desequilíbrio climático no planeta, nada sobre a contenção da emissão de gases que provocam o efeito estufa, o aquecimento global e seus efeitos sobre a natureza, questões que ameaçam a própria preservação da humanidade.

Tampouco são citados o domínio do espaço da internet e a rapina do conhecimento humano pelas grandes empresas de alta tecnologia digital, as Big Tech, além da manipulação de dados e o avanço da desinformação através da chamada “Inteligência Artificial”.

Os países do G7 expressam preocupação com o tráfico de imigrantes, mas nada oferecem para acolher os que imigram para sobreviver. Não há nenhuma contrapartida para o equilíbrio das relações comerciais e o avanço dos países menos desenvolvidos.

Ao contrário, entre as resoluções do encontro de Évian consta a recomendação dos países do G7 utilizarem recursos concessionais de forma estratégica nos países menos desenvolvidos. Como se isso representasse “apoio aos mais vulneráveis” e “parcerias mutuamente benéficas”.

 

G7 e o BRICS

Antes da reunião do G7, o presidente Emmanuel Macron presidiu a Cúpula de Convergência Global para o Crescimento, em 11 de junho, com os países do G7 e representantes da China, Índia, Brasil, República da Coreia e Quênia, para discutir os desequilíbrios macroeconômicos e a governança econômica global.

Atualmente os 11 países que formam o BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia – somam mais de US$ 30 trilhões ou 40% do PIB do mundo. O BRICS representa 49% da população mundial, 36% do território do planeta e 23% do comércio internacional.

O G7 foi criado em 1975, pelas economias mais fortes do planeta daquela época, para lidar com a gestão de crises econômicas internacionais, com o primeiro choque do petróleo, ocorrido em 1973.

 

Dificuldades do G7

Três aspectos básicos evidenciam a fragilidade do G7 como organização para lidar com questões de interesse global, 51 anos depois de sua criação:

1) Não inclui a China, a Rússia, a Índia e outras potências regionais, como o Brasil, a África do Sul, a Turquia e o Irã, nações que cumprem papel determinante no comércio internacional, no fornecimento de matérias-primas e de mercadorias na economia global;

2) Não há unidade entre seus membros na gestão geopolítica, a partir da virada do governo dos EUA, comandado por Donald Trump, que decidiu taxar produtos e impor sanções até mesmo a seus aliados históricos do próprio G7. Trump atua no cenário internacional privilegiando apenas o que considera serem os interesses dos EUA.

3) A política de extrema-direita de Trump promove um clima de vale-tudo internacional, usando o aparato de inteligência dos EUA para intervir em toda a América Latina e criar conflitos militares, apoiado por Israel, como fez recentemente contra o Irã, além de ameaçar de intervenção em Cuba e na Groenlândia. (Foto: Reprodução)

Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do Conselho da União Europeia (Resoluções do G7 – Reunião de Évian), CNN Internacional, Agência Brasil e ICL Notícias.

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