Especialistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em colaboração com a Embrapa, criaram um biodetergente que pode aumentar a durabilidade de frutas e vegetais.
Qual laranja suportaria uma aplicação de fungos diretamente na sua casca? Após dez dias, veja o resultado… A não ser que a fruta receba uma solução que é fruto de dez anos de intensa pesquisa científica.
“Vou aplicar um revestimento em toda a superfície do fruto”, afirma Otiniel Freitas, pesquisador da Embrapa.
Trata-se de um biodetergente livre de agrotóxicos, que consegue evitar a proliferação de fungos. Em testes realizados, em média, 11 das 12 laranjas mantiveram-se sem danos.
“Ele causa, de certa forma, uma desorganização na composição do fungo. Assim, sua capacidade de se multiplicar é prejudicada. Com isso, conseguimos estender a durabilidade desses produtos”, declara Denise Maria Guimarães Freire, Professora titular do Instituto de Química da UFRJ.
De maneira igualmente fascinante ao impacto da fórmula, é o percurso que os pesquisadores traçaram para desenvolvê-la. O início dessa jornada se deu com uma gota de petróleo, em um projeto solicitado pela Petrobras em 2009.
“Com o progresso tecnológico, percebemos que havia uma variedade de opções para utilizar o mesmo produto, fabricado de maneira similar“, relata Douglas Braga, engenheiro ambiental do LaBiM.
A colaboração com a Embrapa teve início em 2014, quando o laboratório de química da UFRJ foi contemplado em um edital voltado para a investigação da preservação de alimentos.
“Identificamos neste edital uma chance de contribuir para a criação de um biopesticida que ainda não está disponível no mercado, destinado à utilização após a colheita de frutas”, comenta Otiniel Freitas, pesquisador da Embrapa.
A pesquisa foi divulgada recentemente em uma renomada revista científica global. O laboratório agora se prepara para realizar experimentos em escalas maiores.
“Um experimento com uma quantidade maior de frutas, realizado não com pincel, mas por meio de uma esteira, que representa o mecanismo industrial de aplicação, é necessário para demonstrarmos que os resultados obtidos em laboratório se mantêm em uma escala industrial,” explica Elisa Cavalcante, docente do Instituto de Química da UFRJ.
O principal benefício deste estudo reside na possibilidade de seu efeito em larga escala sobre a cadeia global de produção de alimentos, que anualmente contabiliza perdas na ordem de centenas de bilhões de dólares devido ao desperdício de produtos que deterioram após a colheita. Atualmente, os cientistas estão investigando se o biodetergente é eficaz em frutas como morango, mamão e goiaba, além de grãos como feijão e soja.
“Você pode pensar em quanto pode-se economizar ao ter uma fruta que é colhida e permanece nas prateleiras do consumidor por um período prolongado. Eu calculo que, com o apoio de investimentos do governo ou de empresas, esse produto possa estar disponível no mercado em cinco anos”, afirma Denise Maria Guimarães Freire, Professora titular do Instituto de Química da UFRJ. (Foto: Reprodução / TV Globo)
Por Opinião em Pauta com informações do G1



