A Amazônia registrou seu segundo menor índice de desmatamento no primeiro trimestre do ano. Em contraste, as taxas de desmatamento do cerrado mostraram um aumento em comparação ao mesmo período do ano anterior, permanecendo em níveis elevados, levando em conta a extensão do bioma.
Durante os três primeiros meses de 2026, a Amazônia perdeu 399,59 km² de sua cobertura florestal. Esse número indica uma diminuição aproximada de 7% em comparação ao mesmo intervalo de 2025.
As informações são oriundas do Deter, um sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que emite alertas sobre desmatamento em tempo real, com a finalidade de apoiar ações de combate a crimes ambientais. Esses alertas, no entanto, também podem revelar padrões nas áreas desmatadas.
O acompanhamento histórico do Deter para a Amazônia brasileira começou em 2015/2016, enquanto para o Cerrado teve início em 2017/2018.
O menor índice de desmatamento na floresta amazônica durante um primeiro trimestre foi registrado em 2017, com a perda de 233,64 km². Geralmente, os primeiros meses do ano apresentam os níveis mais baixos de desmatamento, pois coincidem com a estação chuvosa da região. Já os períodos mais secos, de maio a setembro, tendem a concentrar a maior parte das derrubadas.
No cerrado, o cenário é quase oposto ao da Amazônia. A perda desse bioma atingiu 1.466,11 km² entre janeiro e março, o que indica um aumento de aproximadamente 15% em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. Este é o segundo pior primeiro trimestre registrado na série histórica do Deter cerrado, superado apenas pelos três primeiros meses de 2024, quando a área desmatada foi de 1.475,04 km².
Apesar dos elevados índices de desmatamento no cerrado, é importante ressaltar que esse bioma possui aproximadamente metade da extensão da Amazônia. No entanto, no ano anterior, observou-se a menor taxa de desmatamento no cerrado em um período de cinco anos.
Agregados de desmatamento
Quando se discute o desmatamento no Brasil, normalmente se considera um intervalo de tempo que foge da lógica convencional de “janeiro a dezembro”. O ano relacionado ao desmatamento é contabilizado de agosto de um ano até julho do ano subsequente.
Diante disso, ainda faltam três meses para que se possa avaliar a taxa total de desmatamento do ano anterior. É importante ressaltar que há previsão de que a derrubada da floresta amazônica neste ano seja a mais baixa já documentada, conforme declarado recentemente por Marina Silva, que saiu do cargo de ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima na semana passada.
Marina deixou o cargo com uma contribuição significativa para a diminuição da devastação da Amazônia, que havia alcançado níveis preocupantes durante a gestão de Jair Bolsonaro. Por exemplo, a taxa de desmatamento na Amazônia em 2025 foi a terceira mais baixa desde o início da série histórica, que começou em 1988.
A informação que possibilitará essa realização provém de outro projeto do Inpe, denominado Prodes. Este representa os dados consolidados sobre o desmatamento nos biomas brasileiros, servindo como base para a elaboração de estratégias e para informações gerais direcionadas a governos e à sociedade. Esse tipo de dado é frequentemente anunciado no final do ano, próximo ao período das COPs (conferências climáticas da ONU).
Até agora, as informações do Deter revelam que 1.590 km² da Amazônia foram desmatados, seguindo a lógica da comparação anual. Esses números sugerem uma diminuição significativa no desmatamento, com uma redução de aproximadamente 30% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No cerrado, a realidade continua bastante semelhante ao que era observado no ano passado nesta época, apresentando um leve aumento de 0,2% na taxa de desmatamento. (Foto: Polícia Federal / Divulgação)
Por Opinião em Pauta com informações da FolhaPress



