Rodrigo Vargas – Outro dia me peguei pensando: em que momento discordar virou crime? Quando pensar diferente do outro virou ofensa?
Não estou me referindo aqui em gritar, ofender ou diminuir ninguém. Falo de algo mais simples, quase antigo, como dizer: “Eu penso diferente.” E ao que tenho notado, hoje isso basta.
Basta para que você seja rotulado. Basta para que te olhem com desconfiança. Basta para que te encaixem em uma prateleira ideológica qualquer, dessas que já vêm com etiqueta pronta: intolerante, preconceituoso, retrógrado… escolha o rótulo do dia.
E curioso… porque nunca se falou tanto em diversidade. Diversidade de tudo, menos de opinião. Vivemos um tempo em que todos defendem a liberdade de expressão… desde que seja aquela que o outro concorde.
Se por acaso você cometer o CRIME discordar, prepare-se: o tribunal das redes é rápido, implacável e, principalmente, preguiçoso. Não quer entender, quer julgar.
E talvez o problema não seja a intolerância em si. Talvez seja algo ainda mais silencioso: a incapacidade de ouvir. Porque ouvir exige esforço. Exige maturidade. Exige admitir que o outro pode enxergar o mundo por um ângulo que você nunca considerou.
Mas isso dá trabalho, né?
Muito mais fácil é cancelar. Muito mais confortável é viver cercado por quem pensa igual, um mundo sem conflito, sem questionamento… e, perigosamente, sem evolução.
A democracia, no entanto, nunca foi feita de concordâncias absolutas. Ela nasce do confronto de ideias, de forma respeitoso, civilizado, mas confronto.
Sem isso, sobra o quê?
Um silêncio disfarçado de paz.
E há uma diferença enorme, quase invisível, mas essencial, entre opinião e ofensa. Opinião constrói debate. Ofensa destrói pessoas. Confundir as duas coisas talvez seja um dos maiores erros do nosso tempo.
Porque quando toda discordância vira agressão, o diálogo morre. E quando o diálogo morre… o que vem depois raramente é bom.
Talvez esteja na hora de resgatarmos algo simples, e revolucionário para os dias atuais:
O direito de discordar… sem deixar de respeitar.
E, mais difícil ainda…
O dever de ouvir… sem precisar concordar. (Foto: Redes Sociais / Reprodução)



