Henrique Acker – O “Summit Valor Econômico Brazil-USA”, evento organizado pelo jornal Valor Econômico em maio de 2024, em Nova Iorque, teve o patrocínio do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Na ocasião, durante seu discurso, Vorcaro citou e elogiou a participação de alguns jornalistas, entre eles Malu Gaspar e Lauro Jardim, do jornal O Globo. (ASSISTA AQUI)
“A gente tem alegria de ter patrocinadores de empresas que a gente admira e que eu tenho privilégio de ser amigo. Muito obrigado ao Banco na figura de seu presidente Daniel Vorcaro, que apresenta o seminário de hoje”. São as palavras de Frederic Kachar, diretor da Editora Globo, na abertura do evento.
Na oportunidade, Kachar agradeceu a Ricardo Magro, dono do Grupo Refit (também patrocinador do evento), hoje escondido nos EUA e que é alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga as relações do crime organizado com o setor de combustíveis.
O Banco Master não aparece apenas como mais um participante do evento, mas como o principal patrocinador. Aliás, ironicamente, chama-se a isso de patrocinador “master”. Segundo especialistas do setor e do mercado publicitário, a produção do evento não sairia por menos de R$ 10 milhões.
Master e mídia
Antes da fala de Vorcaro, foi exibido um vídeo com os números de sucesso do Banco Master, as elevadas pontuações das agências de risco e do cartão CredCesta, apresentado como um produto consolidado, com mais de dez milhões de usuários.
Segundo especialistas que acompanham o sistema financeiro, naquela época já era de conhecimento nos bastidores do mercado a fragilidade das operações ancoradas pelo Master, com taxas de remuneração de títulos bem acima da média do valor praticado.
O Valor Econômico e as Organizações Globo proporcionaram ao Master a imagem de uma parceria comercial que funcionou como uma garantia, um aval para quem associa suas marcas.
A parceria continuou até o final de 2025, quando a liquidação do Master já era iminente. O Will Bank – braço digital do Banco Master – firmou contrato de patrocínio com o Domingão, programa da Rede Globo apresentado por Luciano Hulk, o que lhe garantiu entre oito e doze minutos de visibilidade por episódio. O investimento foi estimado entre R$ 120 milhões e R$ 160 milhões, por um período de seis a oito domingos, a partir de 12 de outubro de 2025.
Já o cartão CredCesta foi patrocinador do quadro “Túnel dos Sonhos”, no programa do apresentador Ratinho no SBT. O patrocínio ocorreu ao longo de 2024 e no início de 2025. O CredCesta teve forte atuação na concessão de créditos consignados a servidores.

Governadores e prejuízos
Cabe destacar a presença no evento de diversos governadores de estados, citados nominalmente por Frederic Kachar: Helder Barbalho (PA), Ratinho Junior (PR), Tarcísio de Freitas (SP), Cláudio Castro (RJ), Ronaldo Caiado (GO), Mauro Mendes (MT) e Eduardo Riedel (MS). Todos ligados a partidos do Centrão e ao bolsonarismo.
Alguns deles contribuíram mais tarde para o esforço de captação de recursos pelo Master, comprando títulos podres do banco com recursos de fundos de previdência de servidores públicos. Foi o caso de Cláudio Castro, do Rio, que queimou quase R$ 1 bilhão do Rio-Previdência.
Até agora, depois da liquidação do Banco Master e de empresas associadas ao grupo comandado por Daniel Vorcaro, o prejuízo calculado é de R$ 56 bilhões. Parte deverá ser coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos, que inclui recursos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica.
Outra parte deverá estourar nas costas dos servidores do Rio, Amapá, Brasília (R$ 12 bilhões) e de 18 cidades, incluindo Maceió, cujas prefeituras também compraram títulos do Master com recursos dos fundos de previdência do funcionalismo.
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do Correio da Manhã (Coluna de Cláudio Magnavita), DCM e ICL Notícias.



