Programa de governo de Flávio Bolsonaro resgata arrocho  

Henrique Acker –  Se depender dos planos de governo da equipe de Flávio Bolsonaro, o povo brasileiro pode esperar a volta do arrocho salarial, novas reformas da previdência e trabalhista, além da continuidade da jornada de seis dias trabalhados por um de descanso.

Foi o que ficou evidente nas palavras do senador Rogério Marinho (PL/RN), coordenador da pré-campanha do candidato da extrema-direita à Presidência da República, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo (6/3).

Ao se referir à Previdência Social, Marinho declarou que “o modelo está estourando, só posso dizer que a gente vai ter que revisitar a Previdência”.

Não satisfeito com os resultados desastrosos da reforma trabalhista implantada durante o Governo Temer, o senador – que foi o relator do projeto – declarou que “a trabalhista tem que ser revisitada, porque a reforma de 2017 foi mitigada por várias decisões judiciais. Ao mesmo tempo, ela precisa ser atualizada pelas inovações tecnológicas, pelas novas formas de trabalho que estão crescendo”, declarou.

Segundo dados da PNAD Contínua do IBGE, divulgados em 5 de março 2026, a taxa de informalidade (proporção de trabalhadores informais na população ocupada) foi de 37,5%. Isso equivale a 38,5 milhões de pessoas trabalhando na informalidade, sem direitos e benefícios.

De acordo com Rogério Marinho, o fim da jornada 6×1 não deve fazer parte do plano de governo de Flávio Bolsonaro.

Sobre o projeto de redução da jornada de trabalho que tramita atualmente na Câmara dos Deputados, Rogério Marinho foi claro: “Qualquer flexibilização da jornada deve vir acompanhada de compensação às empresas, por meio da desoneração da folha de salários”.

Marinho também criticou a política de impostos em vigor e defendeu a redefinição de regras fiscais, afirmando que o atual arcabouço não teria eficácia para controlar gastos públicos.

No que diz respeito à política de reajuste do salário mínimo, implantada pelo governo do presidente Lula (PT), o senador e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro saiu pela tangente.

Na entrevista à Folha, Rogério Marinho ainda elogiou Roberto Campos Neto, indicado à Presidência do Banco Central pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Campos Neto é acusado de omissão, por não ter ordenado a liquidação do Banco Master.

O senador informou que o programa de Flávio Bolsonaro deve ser fechado e apresentado ao país até o final do mês de março. O candidato da extrema-direita à Presidência não confirmou quem deverá ser seu vice, mas antes do escândalo do Banco Master o nome preferido de Flávio era o de Ciro Nogueira, atual presidente do Progressistas.

Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações da Folha SP, PNAD Contínua/IBGE, Saiba Mais e Poder 360

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