O empresário Alberto Leite, que é amigo do ministro do STF Dias Toffoli, teve uma parceria no resort Tayayá por um período de cinco meses, pouco tempo após os irmãos do ministro terem negociado sua parte no hotel.
Em fevereiro de 2025, Leite adquiriu o fundo Arleen, que detinha aproximadamente 16% do Tayayá. Nesse mesmo mês, José Eugênio Toffoli e José Carlos Toffoli negociaram sua parte no hotel com o advogado Paulo Humberto Barbosa.
O Arleen, conforme divulgado pela Folha de S.Paulo, integra uma rede de fundos duvidosos do Banco Master e foi parceiro dos irmãos de Toffoli durante quatro anos. Quando Leite adquiriu o Arleen, não existiam informações acessíveis ao público sobre investigações relacionadas ao Master, e Toffoli não atuava como relator em casos que envolvessem o banco.
Leite manteve sua participação e o fundo no Tayayá até julho, quando o Arleen, sob o controle do empresário e do primo de Toffoli, Mario Umberto Degani, vendeu suas cotas no projeto para Barbosa, que passou a ser o único proprietário da empresa.
Antes da chegada de Leite à empresa, o Arleen era de propriedade de um fundo administrado por Fabiano Zettel, que é o cunhado de Vorcaro, conforme informações publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo.
Leite declarou que adquiriu as cotas do Arleen através de uma companhia denominada Sombreiro Participações, que atua como o setor de investimentos imobiliários do grupo há mais de uma década. A aquisição foi realizada “em parceria com o Leal Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, dentro de uma operação de mercado convencional, com a devida documentação nos órgãos reguladores”.
“A participação de 15,66% que o Fundo Arleen detinha no Tayayá foi negociada com o Fundo Angra Doce Investimentos Ltda. em julho de 2025, fundamentada em uma avaliação técnica que considerou a geração de lucros ao longo do período. A transação foi devidamente documentada junto aos órgãos reguladores, garantindo total transparência“, completou.
Master e Zettel não se manifestaram em relação às perguntas feitas pela reportagem.
Após a venda de sua parte no resort, o fundo ficou com apenas as ações de uma empresa de laticínios, a Égide I, localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, além do montante obtido com a transação da participação no Tayayá.
Leite afirmou que “logo após finalizar a venda, em julho de 2025, começou o processo de liquidação do Fundo Arleen, que foi finalizado em dezembro de 2025”. “O fundo foi completamente encerrado, com o pagamento de todos os tributos devidos à Receita Federal e os informes pertinentes registrados nos órgãos responsáveis”, acrescentou.
A relação de amizade entre Toffoli e Leite é conhecida desde que o ministro esteve presente na final da Champions League de 2024, que ocorreu no estádio Wembley, em Londres, em um camarote cedido pelo empresário, conforme divulgado pelo jornal O Globo na época. O STF desembolsou R$ 39 mil para garantir a presença de seguranças ao seu lado.
Fração das cotas adquirida
Leite visitou o Tayayá no final do ano anterior para se encontrar com Toffoli. No dia 28 de dezembro, um avião registrado em nome da RNZ Holding, pertencente ao empresário, aterrissou no aeroporto de Ourinhos, o mais próximo do resort, e partiu no dia seguinte. Naquela data, Toffoli se encontrava no resort, conforme indicam os registros de diárias dos seguranças do ministro.
“Vale enfatizar que nem Alberto Leite nem suas empresas tiveram ou têm qualquer tipo de ligação societária ou parceria comercial com o ministro Dias Toffoli ou seus parentes”, declarou a equipe do empresário.
Leite esteve no Tayayá no fim do ano passado para encontrar Toffoli. Um avião em nome da RNZ Holding, de propriedade do empresário, chegou em 28 de dezembro ao aeroporto de Ourinhos, o mais próximo do resort, e foi embora no dia seguinte. Toffoli estava no resort na data, como mostra o registro de diárias dos seguranças do ministro.
O empresário reconhece que é amigo de Toffoli, mas aponta que não há negócios com a família do ministro. “Ressalte-se, desta forma, que nem Alberto Leite nem quaisquer de suas empresas possuíram ou possuem vínculos societários ou relações comerciais com o ministro Dias Toffoli ou com seus familiares”, afirmou a equipe de Leite.
Entre 2021 e 2025, conforme relatado pela Folha de S.Paulo, os irmãos de Toffoli, José Eugenio e José Carlos Toffoli, compartilharam a administração do resort Tayayá, localizado no Paraná, com o fundo de investimento Arleen, que integra a complexa estrutura criada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
Arleen ingressou na empresa em 2021, adquirindo uma fração das cotas que eram dos irmãos e de um primo de Toffoli. Naquele momento, o fundo era gerido por Zettel. Em 2025, Arleen deixou a sociedade, que já estava sob a liderança de Leite, e vendeu sua parte para o advogado Paulo Henrique Barbosa, que atualmente é o único proprietário do Tayayá.
No último relatório divulgado pelo fundo em maio de 2025, a Arleen detinha R$ 11,5 milhões em ações da Égide I. A offshore foi constituída em 6 de março do ano anterior e está registrada em um endereço de caixa postal pertencente a uma empresa especializada na administração de negócios em paraísos fiscais.
Um documento adquirido pela equipe de reportagem junto à entidade encarregada do registro de empresas nas Ilhas Virgens Britânicas aponta Eric Antonio Carvalho Martins como o único diretor registrado.
Deliberação revisada
Martins ocupa o cargo de diretor em várias empresas do setor de leite, conforme evidenciam as procurações adquiridas pela reportagem, além de informações da Receita Federal e da Junta Comercial de São Paulo. A sua principal empresa relacionada ao leite é a FS Security, especializada em segurança digital.
A RNZ Holding é uma das empresas sob a propriedade da Sputnik LLC, uma organização baseada em Delaware, um estado dos EUA famoso por suas legislações que salvaguardam a identidade dos proprietários de negócios. Eric ocupa também o cargo de diretor na Sputnik.
O Arleen decidiu encerrar suas atividades em 5 de novembro do ano passado. Foi definido que todos os ativos detidos pelo fundo, no valor de quase R$ 34 milhões, seriam resgatados e o valor obtido seria pago aos cotistas.
Toffoli atua como relator do processo Master no STF, o que implica que as investigações a respeito da instituição estão sob sua condução. Vorcaro e a Master estão sendo investigados em um inquérito que examina a comercialização de R$ 12,2 bilhões em créditos sem garantias para o BRB. Vorcaro chegou a ser encarcerado durante essa investigação, mas foi solto em breve.
Toffoli assumiu o caso após sua própria determinação de que a questão deveria ser analisada no STF, em vez de na Justiça Federal de Brasília. Ele justificou sua decisão pelo fato de que entre as evidências estava o nome de um deputado federal, que possui prerrogativa de foro no Supremo.
Entradas e saídas na sociedade Tayayá
Em setembro de 2021, o Fundo Arleen adquiriu 16% das ações que os irmãos Toffoli, através da Maridt Participações, possuem no Tayayá, por um montante de R$ 620 mil. De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, era o responsável pelo controle do Fundo Arleen.
18 de fevereiro de 2025: O Fundo Arleen é adquirido pelo empreendedor Alberto Leite, que é amigo de Toffoli. Assim, Leite se torna um dos sócios do Tayayá.
21 de fevereiro de 2025: O advogado Paulo Humberto Barbosa adquire as cotas da Maridt Participações, pertencente aos irmãos Toffoli, e da SM Hotelaria e Turismo, do Patrick Ferro, no Tayayá.
Abril de 2025: Paulo Humberto Barbosa adquire a parte de Patrick Ferro na empresa Tayayá.
Julho de 2025: Paulo Humberto Barbosa adquire a parte que Arleen possuía no Tayayá.
Setembro de 2025: Paulo Humberto Barbosa adquire a parte de Mario Umberto Degani (parente de Toffoli) na empresa Tayayá.
5 de novembro de 2025: Os integrantes do Arleen optam por finalizar o fundo.
4/dezembro/2025: Assembleia decide encerrar o Arleen e transferir seus ativos para os cotistas do fundo. Àquela altura, o Arleen detinha como ativo a Égide I Holding, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas e valor aproximado de quase R$ 34 milhões. A offshore foi criada em 6 de março de 2025 e pertence a Alberto Leite. (Foto: Redes Sociais)
Por Opinião em Pauta com informações da Folha



