Filhos sem limites, pais desprezíveis  

Henrique Acker –  Quatro adolescentes de família rica decidiram “brincar” de uma maneira bem diferente com o cão Orelha, uma espécie de mascote dos frequentadores da Praia Brava, em Florianópolis. A “brincadeira” consistia em praticar maldades com o bichinho, que nunca fez mal a ninguém e era querido por todos.

Orelha, um vira-latas simpático, já estava velhinho, mas continuava dócil e gostava de interagir com quem o procurava. Os próprios moradores construíram uma casinha para ele se abrigar.

Muitos frequentadores da praia davam comida para o bichinho, que já tinha dificuldade para enxergar. No entanto, ao menor chamado ele abanava o rabo e ia ao encontro de quem pronunciava seu nome.

Espancado até a exaustão pelos filhinhos de papais ricos, o animal foi encontrado com várias escoriações, entre elas perfurações feitas com prego em sua cabeça. Orelha teve que ser sacrificado.

Relatos indicam que outros dois cães de rua também teriam sido agredidos a pauladas e sofreram tentativa de afogamento, durante a “brincadeira” dos adolescentes.

Mas o espetáculo de horrores não terminou por aí. Um vigilante de um dos prédios da praia filmou e exibiu as cenas do massacre pela internet. Foi afastado pela síndica do edifício para ser preservado e ainda teria sofrido ameaças de dois pais empresários e um tio advogado dos menores infratores.

Até o momento os agressores estão fora de circulação, por orientação de advogados das famílias ou dos próprios pais. Pelo que se sabe, dois deles estariam de castigo, dando um tempo na… Disney. Como o caso ganhou repercussão internacional, já há até um movimento para que os vistos dos dois sejam revogados nos EUA.

Difícil fechar um diagnóstico certeiro a respeito desse episódio. Há sintomas de psicopatia? Talvez. Independente de qualquer conclusão, fica evidente que a educação dada pelos pais é falha. Afinal, para os filhos de gente rica no Brasil nem o Céu é o limite.

A propósito: por onde anda aquela turma que exige a redução da maioridade penal para crianças pobres e sem qualquer estrutura familiar?

 

Por Henrique Acker (jornalista e colunista)

 

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