Família de Toffoli teve como sócio fundo ligado ao caso Master

Duas companhias nas quais familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli estiveram envolvidos tiveram, até 2025, a atuação de um fundo de investimentos que faz parte do sistema financeiro associado às alegações de irregularidades ligadas ao Banco Master.

A associação é mencionada em registros públicos e em documentos empresariais que especificam a participação do Arleen Fundo de Investimentos em empreendimentos relacionados à família do juiz. Simultaneamente, uma ligação indireta com fundos que estão sendo examinados por autoridades competentes. As fontes são da Folha de São Paulo.

Conforme informações obtidas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Receita Federal e relatórios financeiros, o fundo Arleen deteve participações na Tayayá Administração e Participações, que gerencia um resort em Ribeirão Claro, Paraná, e também na DGEP Empreendimentos, uma empresa de incorporação imobiliária do mesmo município, que contou com um primo de Toffoli como sócio.

A conexão com o denominado caso Master se estabelece através de uma rede de fundos de investimento. O Arleen estava registrado como cotista do RWM Plus, que também recebeu investimentos de fundos vinculados ao Maia 95 — um dos seis fundos destacados pelo Banco Central como parte da possível estrutura utilizada em fraudes atribuídas ao banco de Daniel Vorcaro. Embora o Arleen não seja um foco direto das investigações, todos esses fundos eram geridos pela mesma administradora: a Reag.

A Reag, responsável pela gestão do Arleen, também cuidava de fundos relacionados à Vorcaro e está sob investigação na operação Carbono Oculto, que apura indícios de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Quando contatadas, a administradora e o Banco Master não se pronunciaram. A assessoria do STF foi indagada sobre o conhecimento do ministro a respeito das ligações e se isso poderia acarretar impedimentos na condução do inquérito, mas não houve retorno até a veiculação da matéria. Familiares de Toffoli também optaram por não comentar.

Apesar de ter sido estabelecido em 2021 com uma expectativa de funcionamento de 20 anos, o fundo Arleen foi encerrado no final de 2025, contando apenas com um cotista. De acordo com o balanço de maio daquele ano, o último disponível, o fundo possuía quatro investimentos: uma participação na Tayayá, na DGEP, no fundo RWM Plus e em uma holding que não está registrada em fontes públicas oficiais.

Pesquisadores indicam que um conjunto de fundos geridos pela Reag pode ter sido utilizado para desviar dinheiro obtido através de empréstimos do Banco Master. De acordo com as investigações, esses recursos eram movimentados por meio de investimentos que consistiam na aquisição de ativos de qualidade inferior, o que resultava em uma inflatação artificial dos patrimônios e na ocultação de perdas financeiras.

O ministro Dias Toffoli é o responsável pelo inquérito que investiga as irregularidades relacionadas ao Banco Master. Ele passou a liderar a investigação no começo de dezembro, após os advogados de Daniel Vorcaro apresentarem um recurso ao STF, argumentando que a apuração deveria ser conduzida pela Corte, devido à menção de um empreendimento imobiliário que envolve tanto o banqueiro quanto o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA). Desde sua entrada no caso, o ministro decidiu que o inquérito seria mantido em sigilo e tomou ações que têm gerado controvérsias no cenário político e no setor financeiro.

Nesse contexto, Toffoli convocou uma audiência entre os investigados e um executivo do Banco Central encarregado da supervisão do sistema financeiro. Algumas das questões elaboradas por sua equipe, conforme investigação, indicavam uma possível rapidez excessiva do BC na dissolução do Banco Master, argumento defendido pela defesa de Vorcaro. (Foto: STF)

Por Opinião em Pauta com informações da Folha São Paulo

Relacionados

plugins premium WordPress