Nesta quarta-feira, a Câmara dos Deputados decidiu suspender o mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ) por um período de seis meses. A deliberação ocorreu um dia após o deputado ter tomado, por aproximadamente uma hora, a posição da Presidência da Casa e tentado interromper as atividades do plenário.
Até o começo da tarde de hoje, a expectativa era de que Glauber enfrentaria a cassação. No entanto, membros da base governista conseguiram promover a aprovação de um destaque que reduziu a força da oposição. Essa deliberação só se concretizou devido à crise institucional que afeta o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB).
Embora a maioria dos membros da Casa tenha criticado a postura de Glauber na última terça-feira, a maneira como Motta lidou com a crise acabou não favorecendo o presidente. Legisladores que falaram em off revelaram que a suspensão poderia ser vista como uma “saída digna” para Motta, evitando a possibilidade de uma derrota na votação pela cassação. O acordo negociado envolveu todos os partidos, exceto o PL e o Novo, que se posicionaram contra.
A deliberação conclui um longo período de tensões relacionadas ao processo disciplinar destinado ao deputado — uma jornada que chegou a envolver até uma greve de fome — e foi decidida em um contexto de crise gerado pelos acontecimentos ocorridos no dia anterior.
Nesta noite, o deputado teve um tempo de 25 minutos para apresentar sua defesa. Começou sua fala citando uma famosa expressão associada à esquerda: “O Congresso se opõe ao povo”. Logo depois, afirmou que seguirá com suas denúncias.
— Não vou simular ser alguém que não sou. Não vou me encontrar com um deputado para dizer que não falarei mais sobre o orçamento secreto. Continuarei a expressar o que já declarei sobre o ex-presidente Arthur Lira. Essa ação de cassação não está relacionada de forma alguma ao empurrão dado ao provocador, mas espero que ele (Lira) enfrente as consequências.
Glauber expressou sua insatisfação em relação à postura de Motta, afirmando que ele queria estabelecer uma comparação enganosa entre sua situação e a da deputada bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP), cuja cassação será discutida em breve no plenário. Zambelli encontra-se detida na Itália após ser sentenciada pelo STF por ter invadido o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Motivação do processo
A razão para o processo de cassação envolve um incidente ocorrido em abril de 2024, quando Glauber foi acusado de ter agredido o militante do MBL, Gabriel Costenaro, com um chute durante uma troca de palavras nos corredores da Câmara. Glauber Braga e Gabriel Costenaro se envolveram em uma discussão nas instalações da Casa, que resultou em empurrões e chutes por parte do deputado em direção ao militante. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) também estava no local.
Durante o incidente, a conversa se deslocou para fora da Câmara, necessitando da intervenção de policiais legislativos, que levaram ambos para depor no Departamento de Polícia Legislativa (Depol) da Câmara. O parlamentar justifica sua ação afirmando que, ao agredir o membro do MBL, o ativista o teria provocado e insultado sua mãe.
Em março deste ano, o Conselho de Ética deu um parecer positivo para a cassação, resultando na decisão do deputado de iniciar uma greve de fome de oito dias a partir de 9 de abril como forma de protesto.
Ele consumiu apenas água, soluções eletrolíticas e bebidas isotônicas, passou a noite no Anexo 2 e contou com a assistência logística da deputada e esposa, Sâmia Bomfim (PSOL-SP), que trouxe um colchão e um cobertor para o local. A greve foi finalizada somente após o então presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), assegurar que não colocaria a votação na pauta por 60 dias. (Foto: Agência Câmara)
Por Opinião em Pauta com informações de O Globo


