As recentes ações das forças de segurança contra redes de criminalidade no país trouxeram à tona a discussão acerca da luta contra essas entidades criminosas.
O especialista no assunto, o jurista Walfrido Warde, argumenta que a colaboração entre as forças de segurança e a implementação de uma agência nacional contra o crime organizado são abordagens essenciais para enfrentar as máfias no Brasil.
“De acordo com o jurista, se conseguirmos alinhar todos os esforços e realizarmos uma luta coesa sob uma única orientação, poderemos prevenir a falta de coordenação, a desarticulação e a politicagem no enfrentamento das máfias no Brasil.“.
Na semana passada, o advogado e promotor de Justiça Lincoln Gakiya apresentou, na cidade de São Paulo, sua obra intitulada Segurança Pública: o Brasil Livre das Máfias, que examina o crescimento do crime organizado dentro das esferas sociais, políticas e econômicas do Brasil.
No livro, os autores detalham de que maneira as principais facções criminosas do Brasil, como o PCC e o Comando Vermelho, conseguiram se infiltrar na política, na economia e nas relações sociais.
Warde menciona que, na área econômica, os delinquentes atuam em setores como transporte, iluminação, imóveis, cadeia de restaurantes, concessionárias de automóveis e comércio de combustíveis. Além disso, ele ressalta que esses indivíduos já firmaram acordos com entidades governamentais e estão também inseridos no mercado financeiro, envolvendo-se em fundos, investimentos em parcerias e moedas digitais.
No campo da política, a inserção se dá por meio do apoio financeiro a campanhas eleitorais.
Existem investigações em andamento e reportagens sobre o crescente financiamento ilegal de campanhas eleitorais no Brasil. Após a proibição do financiamento por empresas, restou apenas o financiamento público para eleições e partidos, o que criou uma oportunidade para grupos criminosos organizados. Com grandes quantidades de dinheiro disponível, essas organizações passaram a financiar campanhas para eleições municipais, estaduais, federais e outros cargos, explica o advogado, que também preside o Instituto para a Reforma das Relações entre Estado e Empresa.
De acordo com Warde, a falta de colaboração entre as forças de segurança de níveis federal, estadual e municipal, devido à divisão das atribuições constitucionais, prejudica os esforços para conter esse fenômeno.
“O governo nacional conta apenas com a Polícia Federal, que possui um efetivo que não ultrapassa 15 mil agentes. Se somarmos os integrantes da Polícia Rodoviária Federal, o total não chega a 20 mil. Em contrapartida, os efetivos das polícias estaduais e municipais são significativamente superiores, muitas vezes em dezenas. O mesmo se aplica aos orçamentos. Se conseguirmos organizar todos esses recursos e realizarmos uma ação coordenada de forma harmoniosa, poderemos evitar a desarticulação, a falta de coordenação e a politicagem no enfrentamento das máfias no Brasil”, declara.
O especialista em direito sugere que a proposta de alteração da Constituição relativa à Segurança Pública deve incluir a formação de uma autoridade nacional dedicada ao combate ao crime organizado. Essa entidade, em colaboração com a Polícia Federal, seria responsável por estabelecer diretrizes para o enfrentamento das máfias, em parceria com as polícias estaduais, municipais, além das forças policiais civis e militares. (Foto: Divulgação/Walfrido Warde)



