O Brasil começa a compreender o impacto de quase 400 anos de escravidão, um passado que ainda influencia a desigualdade social no país. A população negra continua em uma posição inferior, enfrentando menores rendimentos, limitado acesso a terras, habitação e direitos fundamentais. Esse cenário também pressiona nações que se beneficiaram do comércio de africanos no século 19 a implementarem medidas de reparação. A análise é da administradora e ativista do movimento negro Ruth Pinheiro.
“Quando abordamos o tema da reparação, nossa prioridade é que haja um reconhecimento nacional dessa necessidade. Além disso, é fundamental a implementação de políticas públicas”, declarou a ativista. “É essencial que a sociedade veja a reparação como um direito, reconhecendo o contexto e a razão pela qual pessoas negras ainda predominam em favelas, na prostituição e no tráfico.”.
A 2ª Marcha de Mulheres Negras abordará a reparação e o bem-viver, que ocorrerá em Brasília nesta terça-feira (25). Para esclarecer suas demandas relacionadas à reparação, a marcha divulgou o Manifesto Econômico, que apresenta propostas organizadas em sete eixos. Entre as sugestões, estão a criação de um fundo, a tributação sobre grandes fortunas, a diminuição da taxa de juros, a proteção do orçamento social, além de reformas agrária e urbana, bem como a implementação de linhas de crédito e iniciativas afirmativas em empresas que prestam serviços à administração pública.
No Brasil, há cerca de 60 milhões de mulheres negras, o que representa uma a cada três pessoas do país, sendo esse grupo a parcela populacional que mais sofre com a pobreza, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Elas são as principais afetadas pela restrição ao aborto legal, pelo feminicídio, pela pobreza e pela falta de habitação, além de receberem os salários mais baixos. Portanto, é fundamental implementar políticas que promovam a mudança desses cenários para que se possa alcançar a justiça“, declarou Simone Nascimento, coordenadora do Movimento Negro Unificado (MNU).
Um dos segmentos que demanda reparação é o dos povos de terreiro. Recentemente, a Polícia Militar de São Paulo invadiu uma escola armada, após uma criança fazer um desenho da orixá Iansã durante uma atividade escolar. A brutalidade da ação revela o racismo religioso, segundo a opinião de Mãe Nilce de Iansã.
A discriminação, ressaltou, também se manifesta por meio de atos violentos contra os praticantes, como ocorreu com Kayllane, uma jovem de 11 anos que foi atacada com pedras ao deixar uma cerimônia religiosa em 2015, além da destruição de locais de culto e da apreensão de itens sagrados. (Foto: Ag. Brasil)
Por Opinião em Pauta com informações da Rede Brasil



