Opinião em Pauta – Os debates em Belém, na abertura da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), giram em torno de três principais áreas: mudança na matriz energética, adaptação às mudanças climáticas e captação de recursos financeiros.
O Brasil almeja assumir um papel de destaque na transição energética, buscando elaborar o que é conhecido como “plano de ação”. Essa terminologia refere-se ao guia político e técnico que delineará as fases, prazos e as atribuições de cada nação para a troca de petróleo, gás e carvão por energias renováveis e práticas de eficiência energética.
Utilização de fontes sustentáveis
A mudança na matriz energética é um dos tópicos centrais da COP30. Esse assunto reúne um dos principais desafios para o futuro próximo: alterar a maneira como o planeta gera e utiliza energia, diminuindo a dependência de recursos fósseis e aumentando a adoção de fontes renováveis.
O objetivo é assegurar que a mudança ocorra de maneira justa, organizada e justa, considerando as diversas habilidades e obrigações de cada país.
Esse será um dos focos prioritários da presidência do Brasil, que busca converter o pacto estabelecido em Dubai durante a COP28 em um plano com objetivos e métodos de verificação, em vez de ser apenas um compromisso de natureza política.
“Estamos próximos de momentos decisivos em relação ao clima e à possível destruição da Amazônia. Portanto, esta COP deve, de forma imperativa, incentivar a mudança urgente que precisamos. Não teremos uma nova oportunidade, e isso começa com os líderes, que precisam fornecer à COP30 um direcionamento claro para reduzir a diferença em relação à meta de 1,5°C”, analisa Carolina Pasquali, diretora executiva do Greenpeace Brasil.
Um tema importante que também merece destaque é o Objetivo Global de Adaptação (GGA), que funciona como uma ferramenta para avaliar o nível de preparação dos países frente aos efeitos das mudanças climáticas.
A iniciativa integra o Marco UAE–Belém para Resiliência Climática Global e é considerada fundamental para identificar aqueles que estão conseguindo se adaptar e os que ainda permanecem em desvantagem.
A dificuldade, por outro lado, é assegurar que haja recursos consistentes e previsíveis para que o sistema não se transforme em apenas um ato simbólico.
“É essencial que a ambição vá além das medidas de mitigação – deve incluir também a disponibilização concreta de recursos”, analisa Vaibhav Chaturvedi, pesquisador sênior do Council On Energy, Environment and Water (CEEW).
Na área financeira, na ocasião da reunião em Belém, as nações em desenvolvimento apresentam uma demanda evidente: a questão da mudança climática não deve ser abordada de maneira isolada da economia mundial.
O objetivo da conferência será desenvolver o Roteiro de Baku a Belém, um projeto que visa arrecadar US$ 1,3 trilhão anualmente até 2035, promovendo juros reduzidos, um aumento nas doações e a diminuição da dívida.
Esse aspecto será crucial para determinar o êxito da COP, pois a ausência de um financiamento significativo torna impraticáveis as metas de descarbonização e adaptação.
Além desses três aspectos, é importante ressaltar tópicos como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), o fortalecimento dos mercados de carbono e a discussão acerca do racismo ambiental.
O que significa TFFF?
O fundo é uma estratégia financeira idealizada pelo Brasil, que adota um modelo de investimento em renda fixa para arrecadar recursos voltados à preservação de florestas tropicais. Não se trata de contribuições voluntárias. Os ganhos gerados pelos investimentos serão utilizados para compensar os países que preservam suas florestas, dando preferência a nações como Brasil, Indonésia e Congo.
O evento servirá como um fórum para debater a união entre justiça social e justiça climática, além de estabelecer estratégias que façam com que a transição energética mundial seja verdadeiramente acessível a todos.
Na imagem destacada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a abertura da plenária da Cúpula do Clima, parte da COP30. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Por Opinião em Pauta direto do Parque da COP



