O bom filho à casa torna. O ex-deputado, ex-ministro, ex-governador, ex-prefeito, ex-secretário e ex-senador Ciro Gomes anunciou sua saída do PDT e o retorno ao PSDB. Alguma surpresa? Em se tratando de Ciro, trocar de legenda partidária é quase uma rotina.
Entre idas e vindas, o PSDB – para o qual retorna em 2025 – é a oitava filiação de Ciro Gomes. Afinal, sua personalidade ganha tamanha dimensão por onde passa que os partidos acabam sendo apenas um detalhe em sua vida política.
Em 1983, Ciro estreou na vida política e se elegeu deputado estadual pela legenda do PDS (partido da ditadura), apesar de suas críticas ao então governador do mesmo partido. Logo, em 1986, filiou-se ao PMDB, na chapa de deputados que impulsionou a campanha de Tasso Jereissati ao governo do Ceará.
Com Jereissati, embarcou no ninho tucano, sendo um dos fundadores do PSDB junto com outros dissidentes do antigo PMDB. Em 1988, foi eleito prefeito de Fortaleza. Com apenas 15 meses de gestão, candidatou-se ao governo do Estado do Ceará, para o qual se elegeu.
De 1994 a 1995, esteve a frente da pasta da Fazenda no governo de Itamar Franco. Em 1997, filiou-se ao PPS, pelo qual saiu candidato a presidente em 98. Em 2002, voltou a ser candidato à Presidência pelo PPS. De 2003 a 2006, foi ministro da Integração Nacional no primeiro governo Lula.
Em 2006, deixou o ministério para concorrer a deputado federal pela sigla do PSB, mandato que exerceu até 2010. De 2013 a 2014, foi secretário estadual de Saúde do Ceará no governo de seu irmão, Cid Gomes.
Em 2015, depois de breve passagem pelo então PROS, Ciro Gomes filiou-se ao PDT, partido pelo qual disputou sua terceira campanha à Presidência da República, em 2018. Na ocasião, derrotado no primeiro turno, foi para Paris e recusou-se a fazer campanha para Fernando Haddad (PT) no segundo turno contra Jair Bolsonaro.
Em sua quarta tentativa, na eleição de 2022, Ciro disputou o pleito pelo PDT, defendendo as ideias que expôs em seu livro “Projeto Nacional — O Dever da Esperança”, lançado em 2020. Derrotado, declarou timidamente seu apoio a Lula no segundo turno, respeitando a decisão do partido.
Agora, em outubro de 2025, Ciro Gomes pediu desligamento do PDT, que acusa de estar subordinado ao PT, e anunciou seu retorno ao PSDB. Ao todo, em sua carreira política Ciro Gomes já passou por sete partidos e agora retorna ao ninho dos tucanos. Deve disputar o governo do Ceará nas próximas eleições.
Experiente, capaz de debater os grandes temas nacionais, Ciro Gomes tem sua trajetória marcada por sua personalidade marcante. Uma delas é a de ser egocêntrico e incapaz de trabalhar coletivamente, daí sua dificuldade em se vincular a um projeto político-partidário.
Outra de suas características é dar declarações bombásticas, que geram constrangimentos. Articulado, tem respostas para qualquer assunto na ponta da língua, mesmo que pouco entenda do tema.
Ciro costuma apelar ao moralismo, acusando adversários de ladrões e corruptos, embora provavelmente tenha lidado com muitos deles nas diversas legendas partidárias pelas quais passou. Essas acusações custaram várias ações na Justiça por injúria, calúnia e difamação.
O mais difícil, segundo alguns analistas, é classificar Ciro Gomes dentro dos campos políticos ideológicos conhecidos. Crítico da extrema-direita bolsonarista, Ciro jamais teve qualquer ligação com projetos de esquerda, os quais procura rechaçar. Ora namora com setores de centro-esquerda, ora se associa a projetos de centro-direita
Ciro Gomes é um político cuja carreira é marcada por rompantes autoritários, lembrando os antigos coronéis do Nordeste. Dele, pode-se esperar tudo, desde que seja para assumir o papel de personagem principal em qualquer trama.
Por Henrique Acker (jornalista e colunista)



