O diálogo entre os personagens Ivan e Bartolomeu viralizou nas redes sociais e foi interpretado como um raro discurso de soberania.
Na noite de sexta-feira (17), a TV Globo concluiu o remake de Vale Tudo (2025) com um dos episódios mais relevantes do ponto de vista político na teledramaturgia contemporânea. Durante o horário de pico de audiência da televisão brasileira, a série apresentou uma cena que destacou o Sistema Único de Saúde (SUS), a educação pública, as urnas eletrônicas e a ciência do Brasil, contrapondo esses avanços com as deficiências estruturais dos Estados Unidos nos setores de saúde, pesquisa e inclusão social.
A conversa entre Ivan (Renato Góes) e Bartolomeu (Luís Melo) se espalhou rapidamente nas redes sociais e foi vista como uma declaração incomum sobre soberania nacional transmitida pela emissora. Ivan declara:
“Se você estiver nos EUA e sofrer uma fratura na perna, sem recursos para custear a ambulância, não conseguirá chegar ao hospital. O valor é de 400 dólares, que equivale a 2.400 reais.”
A declaração revela a disparidade entre a cobertura universal assegurada pelo SUS e o modelo de saúde dos Estados Unidos, que é caracterizado por seus altos custos e pela exclusão de muitos.
Defendendo políticas públicas
Bartolomeu, atuando como uma voz crítica na narrativa, enriquece a análise:
“E quanto ao nosso sistema financeiro? E a votação eletrônica? Todo esse desenvolvimento é fruto da tecnologia nacional.”
Ele também recorda o estudo realizado no Brasil, da geração de alimentos, da venda de produtos agrícolas no exterior, do avanço em tecnologias de saúde e de um remédio inventado que poderia restaurar a mobilidade em casos de paralisia — representando a habilidade da ciência brasileira, mesmo diante de diminuições de investimentos e descréditos ao longo da história.
O protagonista finaliza com um chamado:
“O povo brasileiro deve resgatar o aprendizado sobre sua própria nação para se sentir orgulhoso do lugar em que habita. Investir em educação é fundamental. Já não podemos continuar sendo apenas o país do futuro. É chegada a hora de o Brasil se afirmar como o país do presente.”
Expondo a soberania em horário nobre
O episódio final da trama registrou 29,8 pontos de audiência, marcando a segunda maior marca da novela. Internautas nas plataformas sociais interpretaram esse momento como uma reafirmação do valor das instituições brasileiras — principalmente do SUS, que foi alvo de críticas durante e após a pandemia — além de representar uma crítica à idealização de modelos estrangeiros, especialmente os dos Estados Unidos.
Vale Tudo (2025) preservou a abordagem crítica da versão original de 1988, enquanto modernizou a discussão para incluir questões atuais, como desinformação, democracia na era digital, elitismo, ensino público, disparidades sociais e a posição do Brasil no cenário global.
No mesmo capítulo, Bartolomeu relembra que “o Brasil se destaca em diversas áreas”, mencionando:
- a geração de alimentos e energia sustentável,
- o setor de aviação,
- a canção, o filme e a propaganda,
- e a liderança dos brasileiros da região nordestina nessas áreas.
Ivan relata que obteve esses dados enquanto redigia seu livro na prisão — mais uma representação da narrativa: a procura pelo saber como uma ferramenta de emancipação e construção da identidade nacional.
Valor político de momento raro da televisão brasileira
Em uma nação onde a imprensa frequentemente reproduz histórias de outros países, o desfecho de Vale Tudo foi visto como uma defesa do verdadeiro Brasil, de suas vitórias coletivas e da importância do governo na promoção da igualdade. Além de ser uma forma de entretenimento, a cena reviveu o conceito de que a soberania consiste em assegurar direitos — como saúde, voto, educação, ciência e dignidade.
Na imagem destacada, Bartolomeu e Ivan em Vale-tudo (Foto: Divulgação)
Por Opinião em Pauta com informações da Redação Brasil



