Donald Trump não mostra um apoio absoluto a Benjamin Netanyahu e pode considerar outras opções políticas em Israel caso o primeiro-ministro continue sua abordagem militar, analisou Vinícius Vieira, docente de relações internacionais da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), durante entrevista concedida ao portal UOL, nesta segunda-feira, 13.
Vieira destaca que, diante de elevados níveis de rejeição nos Estados Unidos e desafios econômicos, Trump tenta honrar seu compromisso de afastar a nação de confrontos externos, pressionando Netanyahu a gerar progressos significativos nas negociações de paz em Gaza.
“Segundo o analista, é intrigante para Trump que essa declaração de encerramento do conflito se mantenha firme. No cenário interno, suas taxas de rejeição são elevadas e a economia enfrenta sérias dificuldades, com uma desaprovação de 53%, o que é bastante preocupante para um presidente em seu primeiro ano no cargo.“.
Na sua análise, afirma que “Trump precisa demonstrar ao povo americano que está comprometido em cumprir essa outra promessa, que é retirar os EUA de conflitos que não são de interesse direto para a população. Parece que ele está aberto a essa possibilidade. Assim, chegamos ao ponto sobre Israel, que envolve pressionar Netanyahu até o extremo. Existe também a questão do envio de armamentos e equipamentos militares, o que exerce um grande impacto em Israel. Embora o país possua uma tecnologia militar bastante avançada, ainda depende da tecnologia e de materiais fabricados nos Estados Unidos“, comenta Vinicius Vieira.
O docente acredita que Trump tem o potencial de estimular o surgimento de novos líderes em Israel, especialmente se Netanyahu continuar sob a pressão de escândalos e um cenário político desfavorável.
No segundo aspecto, apesar de não ser uma questão em pauta nas análises e nos eventos atuais, por que Trump não poderia incentivar uma oposição a Netanyahu conforme ele enfrenta pressão da população israelense devido a escândalos de corrupção e tentativas de influenciar o sistema judiciário?, questiona o professor, oferecendo a resposta em seguida:
É possível que ocorra uma situação em que, assim como parece que Bolsonaro está sendo deixado de lado por Trump no Brasil, ele possa enviar um aviso a Netanyahu: ‘se você continuar com essa guerra insensata, podemos desistir de você e buscar apoiar uma nova força na política de Israel‘. (Foto: AFP)
Por Opinião em Pauta com informações do portal UOL



