“ As regiões Norte e Nordeste registram índices crescentes no uso de substâncias psicoativas, um dado que preocupa autoridades e reforça a urgência de políticas de acolhimento mais eficazes” .
Em São Paulo, o 1º Seminário Internacional de Acolhimento a Mulheres em Situação de Vulnerabilidade pelo Uso de Substâncias Psicoativas prossegue nesta terça-feira (7), reunindo especialistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil para discutir práticas e estratégias voltadas a mulheres que enfrentam situações de vulnerabilidade social e econômica. O tema é de grande relevância social e humana, pois cada número representa uma história de vida marcada por dor, luta e esperança.
Hoje, o foco do debate está na análise de experiências concretas. Mulheres egressas de comunidades terapêuticas compartilham relatos de superação e reconstrução de suas vidas, em um espaço que mistura técnica e emoção. O objetivo é fortalecer políticas públicas de atenção e cuidado, ampliando a escuta, a empatia e a inclusão social. Ontem, segunda-feira (6), o seminário começou com a apresentação das políticas de acolhimento do Governo Federal, detalhadas pelo advogado Sâmio Falcão Mendes, Secretário da Comissão de Política Sobre Drogas da OAB/PI, ex-coordenador geral de enfrentamento às drogas do Estado do Piauí e atual Diretor do Departamento de Entidades de Apoio e Acolhimento atuantes em álcool e outras drogas do MDS.

Na parte da tarde, os debates abordaram estratégias de prevenção e reabilitação do consumo de álcool e outras drogas, bem como os desafios na implementação dessas políticas. Para os organizadores, mais do que um encontro acadêmico, o seminário é um espaço de escuta e de acolhimento, um lugar onde a dor e a esperança de centenas de mulheres que enfrentam algum tipo de dependência química se encontram.
A psicóloga Jéssica Bolaños, mestre em Psicopedagogia, conselheira em Transtorno por Uso de Substâncias e diretora do Projeto Equilíbrio, conduziu reflexões sobre os traumas e vulnerabilidades específicos que marcam a trajetória dessas mulheres. Também professora de pós-graduação em Enfermagem Psiquiátrica e Saúde Mental na Universidade da Costa Rica, ela lembrou que, por trás de cada dado, existe uma história de vida que ainda busca se reescrever. Segundo o MDS, o número de mulheres acolhidas em comunidades terapêuticas cresceu cerca de 18% entre 2022 e 2024, com maior incidência nas regiões Norte e Nordeste, onde a pobreza, a violência e o abandono social formam um terreno fértil para o sofrimento silencioso.
O seminário, que segue até o final desta terça-feira, manhã e tarde, é promovido pelo MDS, em parceria com a USP, a Unicamp e com apoio técnico do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS). Para o DEPAD/MDS, as experiências e propostas levantadas ao longo do encontro servirão de base para aprimorar políticas públicas de acolhimento, reforçando que acolher também é escutar e ouvir é o primeiro passo para reconstruir a vida dessas mulheres.
SERVIÇO
Local do seminário: Hotel Pestana – SP
Rua Tutóia, 77 – Jardim Paulista (São Paulo-SP)



