Diplomata diz que discurso de Lula foi ‘aula magna’ sobre o mundo

posição de Lula em relação ao emprego unilateral da força pelos EUA, repercutida no discurso que fez na Assembleia da ONU,  sinaliza uma mudança na abordagem diplomática do Brasil, conforme destaca o ex-embaixador Roberto Abdenur, ao ser entrevistado pelos repórteres do Canal UOL.

A fala de Lula durante a abertura da Assembleia Geral da ONU foi interpretada por Abdenur como uma importante lição sobre o atual panorama global, recebendo aplausos por sua defesa da soberania, democracia e do multilateralismo em resposta às críticas de Trump.

“Foi inédito o fato de que, pela primeira vez na história da ONU, um presidente dos Estados Unidos tenha vindo a público criticar de forma brutal, contundente o Brasil como tal, como fez o Trump, e é inédita também a resposta do presidente Lula. O Lula faz um verdadeiro libelo contra o que são os Estados Unidos do Trump de hoje. Não um libelo contra os Estados Unidos, não uma manifestação de anti-americanismo, mas uma expressão muito clara de contestação ao uso da força indiscriminado no plano internacional”, diz Roberto Abdenur.

Segundo o ex-embaixador,  “o Lula faz uma correlação muito inteligente, inédita, sobre o uso unilateral da força, o que ele representa em termos de violação à soberania e, portanto, também às democracias do mundo, em particular a do Brasil, e o que isso representa em termos de enfraquecimento do multilateralismo da cooperação internacional”.

Abdenur destaca ainda o impacto didático do discurso brasileiro, elogiando a amplitude da análise feita por Lula no plenário da ONU.

“O discurso do Lula, permita-me dizer, eu sou muito cuidadoso em avaliar esses discursos, mas é um discurso extraordinário, é uma verdadeira aula magna pela amplitude com que ele analisa o panorama internacional”, afirma o diplomata.

O ex-embaixador reforça que as divergências vão além dos presidentes e envolvem a comunidade internacional.

“A discrepância não é só entre o Lula e o Trump, eu diria que é entre o Trump e o resto da humanidade, porque os países europeus, os países africanos, os próprios países do Oriente Médio, com a exceção de Israel, praticamente todo o resto da humanidade está, de um modo ou de outro, de acordo, embora nem sempre dizendo, com o diagnóstico que o Lula expressa”, finalizou Roberto Abdenur. (Foto: Estadão)

Por Opinião em Pauta com informações do UOL TV

Relacionados

plugins premium WordPress