O pai do bilionário Elon Musk foi denunciado por supostos abusos sexuais contra seus filhos e enteados, que eram crianças, durante um período de mais de trinta anos, segundo uma apuração do jornal The New York Times divulgada hoje. Ele refuta as alegações.
A pesquisa realizada pelo veículo de comunicação dos Estados Unidos fundamentou-se em documentos policiais e legais de ambas as nações, assim como em comunicações pessoais, depoimentos de assistentes sociais e conversas com parentes de Musk. O pai, que nasceu e passou parte de sua vida na África do Sul antes de se transferir para os Estados Unidos, é pai ou padrasto de pelo menos nove crianças oriundas de três uniões matrimoniais.
O primeiro caso documentado ocorreu há 32 anos, envolvendo a filha do companheiro de Errol, que na época tinha apenas 4 anos. A menina contou aos parentes que o padrasto havia mexido em suas partes íntimas no lar onde residiam, conforme a apuração. Uma década depois, já na adolescência, ela o teria surpreendido cheirando sua roupa íntima suja.
Seus parentes também o denunciavam por abusar de duas filhas menores e de um enteado, com relatos que chegaram até 2023. Nesse ano, alguns membros da família e uma assistente social tentaram agir após um de seus filhos, que na época tinha 5 anos, afirmar que o pai havia tocado em suas nádegas.
Três inquéritos policiais referentes a casos de abuso sexual infantil foram instaurados contra Errol, que, conforme os documentos legais e policiais, nunca foi julgado culpado. Duas dessas investigações foram concluídas, enquanto o destino da terceira permanece indefinido, conforme apurou a reportagem.
A enteada que denunciou ter sofrido abusos quando tinha 4 anos afirmou ter engravidado de Errol aos 20 anos. De acordo com o NYT, a jovem teve um filho em decorrência de relações com o padrasto e enfrentou fases de dependência de substâncias. Sua mãe, que esteve casada com ele em duas ocasiões, apresentava problemas de saúde mental.
De acordo com a investigação, aproximadamente 15 anos atrás, um membro da família redigiu e enviou ao filho mais velho uma carta de cinco páginas — à qual o NYT obteve acesso — na qual descrevia certas acusações contra o chefe da família e pedia que o empresário tomasse alguma providência.
“Estamos em busca de sua orientação, apoio e conselhos sobre essas questões, pois presenciamos diariamente o sofrimento dessas crianças”, afirma uma parte da carta que um parente enviou a Elon Musk.
Ainda não há confirmação sobre se Elon Musk teve acesso à carta. Contudo, de acordo com informações obtidas pelo jornal, uma das assistentes do magnata se colocou em contato com seus parentes logo em seguida, e Musk começou a oferecer suporte financeiro para uma ex-madrasta e duas meias-irmãs, o que incluía pagamentos mensais.
Elon fez esforços para preservar sua família adotiva e seus meio-irmãos na Califórnia, buscando distanciá-los do pai. De acordo com as apurações, ele não se envolveu nas investigações policiais na África do Sul.
Errol “causou um grande estrago em nossa família”, afirmou a ex-cunhada. Elmie Smit, irmã da última esposa de Errol, compartilhou com um jornal dos Estados Unidos que enviou e-mails para Elon descrevendo os abusos cometidos por seu pai, e que, em algumas ocasiões, recebeu respostas da assistente do empresário. (Foto: Gianluigi Guercia/AFP)



