Piloto diz que Rueda é dono de aviões operados por empresa do PCC

Um piloto que frequentemente transportava uma dupla envolvida em um grande esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC revelou em seu testemunho à Polícia Federal que Antônio Rueda, presidente do União Brasil, é um dos reais proprietários de quatro dos dez jatos executivos geridos por uma empresa de táxi aéreo.

Em uma entrevista exclusiva ao ICL Notícias, Mauro Caputti Mattosinho, de 38 anos, informou que seu supervisor mencionava Rueda como o responsável por um grupo que “dispunha de uma quantia significativa de recursos que precisava ser investida” na aquisição de aviões, cujo valor total chega a milhões de dólares.

Era evidente uma atmosfera de crescimento acelerado na empresa, impulsionada por um time robusto liderado por Rueda, que dispunha de consideráveis recursos financeiros a serem investidos. Assim, a compra de diversas aeronaves foi viabilizada,relata Mattosinho na gravação da entrevista.

Rueda rejeita a afirmação de que possui os aviões e “repudia com firmeza qualquer esforço para associar seu nome a indivíduos investigados ou implicados em atividades ilegais“, declarou em um comunicado oficial.

O líder do União Brasil afirma que “já utilizou aeronaves privadas em voos alugados por ele ou como convidado”, mas ressalta que “nunca esteve envolvido na aquisição das aeronaves”. Ele menciona que, habitualmente, faz suas viagens “em voos comerciais”.

Explorando o Uruguai

Mattosinho começou a trabalhar na TAP (Taxi Aéreo Piracicaba) em 2023 e deixou a empresa há duas semanas, após levar os familiares de Beto Louco para o Uruguai um dia antes da grande operação da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo, que ocorreu no final de agosto.

Foi exatamente ao voltar dessa viagem ao Brasil, há 17 dias, que o piloto foi interceptado pela Polícia Federal no aeroporto Catarina, em São Roque (SP). Existia a suspeita de que Beto Louco poderia estar a bordo do voo.

“A narrativa que compartilhei com vocês também foi relatada à Polícia Federal”, declarou Mattosinho em sua entrevista ao ICL Notícias. A matéria obteve acesso ao testemunho.

O motorista declara que conduziu pelo menos 30 vezes Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco. Os dois são considerados líderes do plano ligado ao PCC e estão em fuga da Justiça.

O aviador, que afirma estar revoltado com o que ouviu nas discussões que acompanhou, contatou o ICL Notícias pela primeira vez em novembro do ano anterior.

O ICL Notícias e o UOL investigaram e descobriram que dois aviões associados a Mattosinho e Rueda pertencem a fundos de investimento que possuem um único controlador final, cujo nome não é revelado em registros públicos.

Uma terceira aeronave está registrada em nome de uma companhia localizada na zona periférica de Imperatriz (MA). Durante uma entrevista, a sócia exclusiva da empresa afirmou que não tinha conhecimento sobre a companhia nem sobre a aeronave.

Durante a entrevista em vídeo, Mauro Mattosinho confirmou que levou em um voo uma bolsa de papelão que parecia estar recheada de dinheiro em espécie. Isso ocorreu na mesma ocasião em que Beto Louco comentou com outros viajantes que teria um encontro com o senador Ciro Nogueira (PI), que é o presidente nacional do PP, conforme divulgado pelo ICL Notícias no dia 1º deste mês.

O senador afirmou não ter mantido nenhum tipo de aproximação” com Beto Louco e também refutou a acusação de ter recebido qualquer quantia.

Ciro ajuizou uma ação contra o ICL Notícias, solicitando compensação por danos morais. A empresa se manifestou, afirmando que a ação como uma tentativa de assédio judicial e que “reafirma a excelência de suas práticas jornalísticas”.

A empresa TAP é gerida pelo empreendedor Epaminondas Chenu Madeira. O ICL Notícias obteve mensagens de Whatsapp entre Mattosinho e Epaminondas, nas quais o proprietário da TAP menciona “Beto” e “Moha”, aludindo a Beto Louco e Mohamad (Primo).

A situação está complicada, Beto e Moha Velho. Assim que eu retornar, vamos conversar para nos organizarmos. No entanto, os caras lá estão difíceis. Estou enfrentando isso tudo sozinho”, registrou Epaminondas em 14 de março de 2025, às 16h50. A matéria reproduziu a mensagem exatamente como foi enviada.

A defesa de Primo, ao ser contatada, informou que não fará comentários. Por sua vez, o advogado de Beto Louco, Celso Vilardi, não respondeu às tentativas de contato. (Foto: Reprodução)

 

Por Opinião em Pauta com informações do UOL e  ICL

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