Pará debate criação de novas APAs entre preservação e economia

A Comissão de Agricultura (CRA) discute nesta quarta-feira (10) a criação de duas novas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) no Pará: a APA do Paleocanal do Rio Tocantins e a APA do Bico do Papagaio. O pedido de audiência partiu do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), autor do Requerimento REQ 33/2025-CRA.

Marinho, que preside a comissão, afirmou preocupação com os impactos econômicos das unidades de conservação. Segundo ele, a criação das APAs pode restringir atividades produtivas e prejudicar a economia de municípios inteiros.

“Considerando a grandiosidade da área impactada e o alto número de famílias de produtores rurais afetadas, é urgente dar voz a esses produtores e garantir que se posicionem sobre o tema”, disse o parlamentar.

 

Biodiversidade e cultura em jogo

A APA do Paleocanal do Rio Tocantins é considerada estratégica para a região do Bico do Papagaio, no Pará. A área combina biodiversidade rica, presença de comunidades tradicionais e potencial para o turismo sustentável.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estuda a criação das APAs desde outubro de 2023, após solicitação da Fundação Casa da Cultura de Marabá e da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

Se confirmadas, a APA do Paleocanal abrangerá os municípios de Nova Ipixuna, Marabá e Itupiranga. Já a APA do Bico do Papagaio atingirá Marabá, Bom Jesus do Tocantins e São João do Araguaia, além de três municípios do Tocantins e dois do Maranhão.

Para a audiência foram convidados prefeitos, representantes de sindicatos rurais e do ICMBio. O encontro é considerado o primeiro teste para conciliar proteção ambiental e interesses econômicos na região.

Técnicos do ICMBio

O que é um paleocanal?

O Paleocanal do Rio Tocantins é um antigo leito do rio, hoje com relevância histórica, ambiental e cultural. O termo “paleocanal” indica um curso fluvial que foi ativo no passado e que atualmente pode estar parcialmente seco ou transformado, formando várzeas, lagoas, brejos e matas ciliares.

A preservação da área permitirá estudos sobre a evolução dos canais, ecossistemas de várzea e formas tradicionais de ocupação do território, além de preservar a biodiversidade e as comunidades que dependem dessas águas.

O caminho para a criação das APAs ainda exigirá amplo diálogo entre produtores, autoridades e ambientalistas, equilibrando conservação e desenvolvimento econômico. (Fotos: Reprodução)

 

Informação da Agência Senado

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