Henrique Acker – Ainda não é possível quantificar os efeitos do tarifaço de Trump na produção e no emprego nos setores diretamente atingidos da economia brasileira, mas se depender da balança comercial do Brasil, o tiro pode ter saído pela culatra.
Apesar da queda de 18,5% das exportações para os EUA, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 6,133 bilhões em agosto, mês em que passaram a vigorar as taxas impostas a produtos brasileiros pelo governo estadunidense (50% em média).
SETORES — Desempenho setorial em agosto de 2025 (comparado a agosto de 2024):
_____________________________________________________________________________
Exportações Importações
Agropecuária +US$ 0,51 bilhão (8,3%) +US$ 1,7 milhão (0,4%)
Indústria extrativa +US$ 0,74 bilhão (11,3%) +US$ 0,37 bilhão (26,5%)
Indústria de transformação -US$ 0,14 bilhão (-0,9%) -US$ -0,85 bilhão (-3,8%)
_____________________________________________________________________________
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços (Mdic)
O resultado representa um crescimento de 3,9% nas exportações em comparação com agosto de 2024. Os países que tiveram maiores percentuais de crescimento de importação de produtos brasileiros foram Índia (58%), México (43,82%), Argentina (40,37%) e China (31%).
No acumulado de janeiro a agosto de 2025, as exportações brasileiras somam US$ 227,6 bilhões, recorde histórico para os primeiros oito meses do ano, superando em 0,5% o valor registrado no mesmo período de 2024 (US$ 226,5 bilhões).
Café rende mais
Cerca de 3,8 mil itens exportados pelo Brasil ainda estariam sujeitos à sobretaxa de 50% do governo estadunidense. Os de maior destaque no mercado dos EUA são café, carne bovina, açúcar, frutas como manga e goiaba, cacau (matéria-prima para chocolates) e metais usados na fabricação de automóveis (aço, nióbio e alumínio).
No caso específico do café, um estudo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revela que o Brasil exportou 23,7 milhões de sacas de 60 quilos de café de janeiro a julho deste ano, uma redução de 16,4% na comparação com igual período de 2024.
Apesar da queda no volume, a receita da exportação brasileira de café nos sete primeiros meses de 2025 cresceu 44,1% em relação a 20024, atingindo nove bilhões de dólares, o maior montante já registrado. O resultado se deve à alta dos preços internacionais do café, sobretudo no primeiro bimestre deste ano. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com Agência Brasil, Revista Portos e Navios, Meio, BBC Brasil.



