Minissérie da Netflix “Pssica” desnuda a selvageria nas cidades amazônidas

A minissérie brasileira “Pssica”, disponibilizada na Netflix em 20 de agosto, chega pouco antes da COP30, que ocorrerá em Belém em novembro. À medida que líderes globais se organizam para debater o futuro do clima da Terra, a obra destaca um lado diferente da Amazônia: as cicatrizes da violência, da desigualdade e da falta de presença estatal.

Sob a direção de Quico Meirelles e com a colaboração de Fernando Meirelles, indicado ao Oscar por “Cidade de Deus”, a série composta por quatro episódios já se destaca como um dos lançamentos mais discutidos na plataforma. Seu enredo intenso e perturbador entrelaça temas como abuso, vingança e a brutalidade urbana, oferecendo um retrato fiel das realidades enfrentadas pelas comunidades ribeirinhas e das periferias.

Além de ser uma narrativa fictícia, “Pssica” destaca o paradoxo da Amazônia: uma região crucial para a sustentabilidade ambiental do planeta, mas que enfrenta relatos de marginalização e descaso que, frequentemente, não são abordados nas discussões globais.

Inspirada na obra de Edyr Augusto, intitulada “Pssica” e publicada em 2015 pela Boitempo Editorial, a narrativa é ficcional, mas fundamenta-se em experiências reais do estado do Pará. O autor, que é jornalista e dramaturgo, revelou em uma entrevista que elaborou sua história a partir de testemunhos obtidos em localidades como Breves, Faro, Afuá e Belém, sendo esta última frequentemente reconhecida como uma das cidades mais violentas do planeta.

 

sorte ou infortúnio: pssica

A narrativa foi impulsionada por situações de tráfico de mulheres, exploração sexual e a violência perpetrada pelos conhecidos “ratos d’água”, que operam nas águas da Amazônia. Augusto mencionou até mesmo a ocorrência de leilões envolvendo garotas de 11 e 12 anos na Ilha de Marajó: “São meninas com aparência infantil. É incompreensível a irracionalidade humana em realizar tais atos”, declarou.

Na trama, Janalice (Domithila Cattete) é uma jovem sequestrada e alvo de abusos sexuais, sendo mantida por uma gangue que controla as águas da Amazônia. Junto dela estão Preá (Lucas Galvino), um criminoso que enfrenta as consequências de suas escolhas, e Mariangel (Marleyda Soto), uma atriz colombiana conhecida por interpretar Úrsula Iguarán na versão adulta de “Cem Anos de Solidão” da Netflix, que neste contexto se apresenta como uma mulher determinada a se vingar pela morte de sua família.

A história é permeada pela noção de existir sob uma maldição inescapável — a pssica“, que empresta seu nome à minissérie. Com origem no idioma nheengatu, essa palavra é empregada no Pará para significar sorte ou infortúnio. (Foto: Netflix / Divulgação)

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