Henrique Acker – Vinte pessoas foram mortas – entre eles cinco profissionais de imprensa – e outras 50 saíram feridas, no bombardeio desta segunda-feira (25/8) das Forças Armadas de Israel (IDF) ao Hospital Al Nasser, único em funcionamento em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza.
Jornalistas de diversas emissoras passaram a fixar tendas próximas aos hospitais de Gaza pela possibilidade de utilizar eletricidade necessária a operar seus equipamentos e internet para o envio de material e entrada no ar, ao vivo, nas emissoras de rádio e TV. O acesso a esses serviços vem se tornando cada vez mais precário na Faixa de Gaza desde a operação militar israelense.
Confira os nomes e os veículos para os quais trabalhavam os cinco jornalistas mortos:
- Mariam Abu Dagga – Repórter de 33 anos, trabalhava como freelancer para a agência de notícias Associated Press e outros veículos de comunicação.
- Hussam al-Masri -Cinegrafista contratado pela agência de notícias Reuters.
- Mohammed Salama – Fotógrafo da emissora catari Al-Jazeera.
- Moaz Abu Taha – Fotojornalista freelancer especializado em coberturas em zonas de guerra.
- Ahmad Abu Aziz – Repórter vinculado aos portais Middle East Eye e Quds Feed Network, especializados em Oriente Médio.
Acusações sem provas
Não é a primeira vez que jornalistas são mortos pelas IDF nas proximidades de hospitais em Gaza. Em maio, o fotógrafo Hassan Aslih foi assassinado no mesmo hospital Al-Nasser. As IDF alegaram que Aslih era um “terrorista agindo disfarçado de jornalista”, dizendo que ele participou do ataque de 7 de outubro.
Há duas semanas, disparos israelenses mataram o repórter da Al Jazeera, Anas al-Sharif, em ataque a uma tenda de imprensa no Complexo Médico Al-Shifa, na Cidade de Gaza, junto com seu colega, Mohammed Qreiqeh, e os fotógrafos Ibrahim Zaher, Mohammed Noufal e Moamen Aliwa.
Na ocasião, as Forças de Defesa de Israel (IDF) justificaram o assassinato alegando que al-Sharif chefiava uma célula terrorista do Hamas e era responsável pelo planejamento de ataques com foguetes contra civis israelenses e forças das IDF.
Para evitar qualquer confusão, os jornalistas que trabalham em Gaza usam coletes e capacetes de proteção, na cor azul, sempre identificados com a palavra “press”.

Números da II Guerra, Vietnã e Iraque
De acordo com a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras, um ano e dez meses os bombardeios a Gaza produziram mais mortes de profissionais de imprensa que os 20 anos da guerra do Vietnã, onde 63 jornalistas foram mortos.
No Iraque, invadido e ocupado durante 8 anos e 8 meses por uma coalizão de países ocidentais capitaneada pelos EUA, foram registradas cerca de 3,6 milhões de mortes. Na ocasião, 200 a 230 profissionais de imprensa foram mortos, mais de 85% eram jornalistas iraquianos que cobriam o conflito.
Nos seis anos da segunda guerra mundial, que gerou entre 70 e 85 milhões de mortos, foram registradas as mortes de 69 profissionais de imprensa. Até aqui, na Ucrânia, 19 jornalistas perderam suas vidas como correspondentes de guerra.
Cerca de 200 jornalistas mortos em menos de dois anos
Até a presente data, o Sindicato dos Jornalistas Palestinos, ligado à Federação Internacional dos Jornalistas, contabiliza 218 profissionais de imprensa mortos em Gaza, desde 18 outubro de 2023, quando Israel passou a uma ofensiva militar contra o território palestino.
Já o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), confirma que 192 profissionais da imprensa foram mortos em Gaza até aqui, a esmagadora maioria palestinos que trabalham para meios de comunicação estrangeiros. O Ministério da Informação de Gaza, por sua vez, contabiliza 245 profissionais de imprensa mortos em Gaza desde o início dos ataques israelenses.
Autoridades das Forças de Defesa de Israel (IDF) disseram que o hospital Al-Nasser não foi atingido por um ataque de drones, mas por um tanque que disparou um projétil em direção a uma câmera instalada na área. As forças em terra disseram que acreditavam que se tratava de um equipamento do Hamas, usado para observar as forças israelenses.
“Até onde irão as Forças Armadas israelenses em seu esforço gradual para eliminar informações vindas de Gaza? Por quanto tempo continuarão a desafiar o direito internacional humanitário?”, indagou o Diretor-Geral da organização Repórteres Sem Fronteiras, Thibaut Bruttin, em um comunicado.
Na imagem destacada, quatro dos cinco jornalistas mortos pelas tropas israelenses. (Fotos: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista) com informações do Haaretz (Israel), Al-Jazeera (Qatar), Federação Internacional dos Jornalistas, revista Veja, Repórteres Sem Fronteiras, CNN Brasil e ABI.



