Netanyahu aprova tomada de Gaza contra alerta do Exército de Israel

O gabinete de segurança do governo de Israel aprovou nesta sexta-feira, 8 de agosto, a tomada militar da Faixa de Gaza. O plano do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prevê que as Forças de Defesa de Israel (IDF) assumam o controle total da Cidade de Gaza.

O gabinete de Netanyahu afirmou que o exército israelense tomará a cidade “enquanto distribui assistência humanitária fora das zonas de combate”. A evacuação da população civil para áreas alternativas deve ser concluída até 7 de outubro, para que seja possível a ocupação militar do território palestino.

 

“Não há resposta humanitária”

De acordo com a imprensa israelense, as Forças Armadas se opõem aos planos de ocupação total de Gaza. O tenente-general Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior do Exército, teria dito a Netanyahu em reunião no início desta semana que isso seria “o mesmo que cair em uma armadilha”.

Segundo uma fonte do Jornal Haaretz, o chefe do Estado-Maior das IDF, Eyal Zamir, alertou os ministros que participaram da reunião do gabinete de segurança sobre as repercussões do plano.

“Não há resposta humanitária para o milhão de pessoas que teremos que transferir”, afirmou Zamir. “Tudo será complicado. Sugiro que você remova ‘devolver os reféns’ dos objetivos operacionais”, teria dito o chefe do Estado-Maior a Netanyahu.

 

Extrema-direita apoia

Contrariando as pesquisas de opinião pública, que indicam uma leve maioria a favor de um acordo de paz com o Hamas, a extrema-direita israelense apoia integralmente o plano de Netanyahu de tomada de Gaza.

O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, acusou o chefe militar de tornar pública a discussão. “Parem de falar com a mídia”, disse ele. “Queremos um triunfo. Todos nós nos preocupamos com os reféns, mas também com os soldados e combatentes que exigem a vitória.”

Por sua vez, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, também apoiou o plano de Netanyahu. “Precisamos falar em vitória. Se optarmos por um acordo temporário, isso é derrota”, disse ele.

 

Gaza sem Hamas e sem ANP

Logo após a reunião, o gabinete do governo israelense emitiu uma declaração na qual listou cinco princípios para acabar com o conflito, começando com o desarmamento do Hamas e seguido pelo “retorno de todos os reféns — os vivos e os mortos”.

Os princípios restantes incluem “controle de segurança israelense na Faixa de Gaza” e o “estabelecimento de uma administração civil alternativa que não seja nem o Hamas nem a Autoridade Palestina”.

Na quinta-feira, milhares de israelenses se manifestaram contra o plano de Netanyahu em frente ao gabinete do primeiro-ministro, em Jerusalém, e em vários locais do país. Alguns se acorrentaram a outros e alertaram que a medida seria uma “sentença de morte” para os seus entes queridos.

Hamas e ANP denunciam

Em comunicado, o Hamas alertou que as ações do governo israelense “representam uma clara reversão do curso das negociações e revelam os verdadeiros motivos por trás de sua retirada da rodada final (de negociações)”. Para o Hamas, Netanyahu está “planejando continuar sua abordagem de genocídio e desalojamento, cometendo mais crimes” contra o povo palestino.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, expressou em nota sua profunda preocupação com a decisão do governo de Israel. Ele alertou que as ações israelenses, baseadas em assassinatos, fome e deslocamento forçado, levarão a uma catástrofe humanitária sem precedentes.

De acordo com Abbas, o plano do governo israelense se somará à expansão colonial de assentamentos, anexação de terras palestinas, terrorismo de colonos, ataques a locais sagrados cristãos e islâmicos, retenção de fundos palestinos e enfraquecimento do estabelecimento de instituições estatais palestinas — atos que equivalem a crimes contra a humanidade e ameaçam a paz e a segurança regional e internacional.

 

Repercussões

A Alemanha, segundo maior fornecedor de armas e munições para Israel, anunciou que, caso o governo de Netanyahu confirme o plano de tomada de Gaza, suspenderá as exportações de equipamentos militares. O Reino Unido instou Israel a reconsiderar sua decisão de intensificar a campanha militar em Gaza.

No Egito, o Representante Permanente da Palestina na Liga dos Estados Árabes, Embaixador Muhannad Al-Aklouk, anunciou que a Missão Permanente da Palestina solicitou nesta sexta-feira (8/8), uma sessão urgente do Conselho da Liga Árabe

Ele enfatizou que a reunião deve emitir uma resolução pedindo ações efetivas tanto em nível árabe quanto internacional para confrontar os crimes israelenses e processar os responsáveis perante tribunais internacionais.  (Fotos: Reprodução)

Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do Jornal Haaretz, Agência Reuters, Agência Wafa, Al Jazeera e BBC News Brasil.

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