Henrique Acker – Os migrantes continuam desempenhando um papel crucial no mercado de trabalho mundial. Eles representavam 4,7% da força laboral em 2022, de acordo com o relatório Estimativas Globais da OIT sobre Trabalhadores Migrantes Internacionais, produzido pela Organização Internacional do Trabalho, OIT.
O levantamento indicava que a força de trabalho dos países de destino em 2022 incluía 167,7 milhões de estrangeiros. Desde 2013, houve um aumento de mais de 30 milhões de migrantes, especialmente entre 2013 e 2019.
A maioria consegue emprego na área de serviços e na agricultura, setores em que os salários são menores e as condições de trabalho costumam ser mais precárias. Há também os que conseguem vagas na indústria, geralmente como temporários.
Produção e arrecadação
A maioria dos trabalhadores estrangeiros está concentrada em regiões de alta renda (EUA, Europa e Oriente Médio) – 68,4% do total -, seguidos por 17,4% em países de renda média-alta.
A queda da natalidade e o envelhecimento da população estão entre os fatores que influenciam a presença dos migrantes na economia dos países mais ricos. Em 2024, o número de migrantes legais e refugiados atingiu 304 milhões, cerca de 3,7% da população mundial.
Segundo estimativas recentes da Congressional Budget Office dos EUA, os estrangeiros deverão agregar mais de US$ 7 trilhões ao Produto Interno Bruto dos Estados Unidos na próxima década.
A contribuição dos migrantes para a economia dos EUA terá impacto direto de US$ 1,2 trilhão no aumento da arrecadação de impostos e uma redução projetada de US$ 900 bilhões no déficit público federal.
Contribuição previdenciária
O número de brasileiros que deixa o país aumenta ano a ano. Em 2015, eram 2,7 milhões que viviam no exterior. Em 2023, já eram 4,9 milhões de brasileiros trabalhando e residindo no estrangeiro. Um aumento de 81,4%, comparado com os dados de 2015.
Entre eles estão 2,08 milhões que residiam nos EUA em 2024, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores. Em Portugal, segundo destino mais procurado pelos brasileiros para viver, eram 513 mil no ano passado.
Um dado significativo para Portugal é a contribuição para a Segurança Social dos brasileiros que trabalham no país. Só em 2024, eles contribuíram com € 1,372 bilhão, aproximadamente R$ 8,2 bilhões, ajudando a previdência social a arcar com as aposentadorias dos portugueses.
Os países com maior quantidade de brasileiros são Estados Unidos, Portugal, Paraguai, Reino Unido, Japão, Alemanha, Espanha, Itália, Canadá e Argentina. Em 2024, esse contingente enviou cerca de 4,5 bilhões de dólares (R$ 2 bilhões) para o país.
Remessas para familiares
De acordo com o Banco Mundial, em 2021, as remessas de migrantes alcançaram 773 bilhões de dólares americanos, com cerca de 605 bilhões enviados para os países de baixa e média renda, ou seja, 78 por cento do total.
A região da Ásia do Sul recebeu mais remessas do que qualquer outra de baixa e média renda, totalizando 147 bilhões de dólares. O Leste Asiático e Pacífico, com entradas de remessas no valor de 133 bilhões de dólares americanos, vem a seguir.
O economista do Banco Mundial, Dilip Ratha, avalia que os migrantes enviam cerca de 10% a 20% do seu salário ao seu país de origem. Boa parte dessas remessas, em pequenas quantidades, não é contabilizada, mas é fundamental para as despesas de suas famílias.
As remessas atingem mais de 500 milhões de pessoas ao redor do mundo. Estimativas conservadoras colocam o número de pessoas recebendo algum tipo de benefício econômico das remessas em 1 bilhão – quase 1/6 da população do planeta (Joint Conference on Remittances, Manila, Filipinas, 2005).
Por Henrique Acker (jornalista e colunista)
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