Rodrigo Vargas – Iniciamos o famoso mês de agosto, há quem diga que é o mês do desgosto. Outros juram que é o mês do cachorro louco. E eu e você leitor, no meio disso tudo, tentando pagar os boletos, manter a sanidade e não enlouquecer junto com o cachorro, (se bem que alguns já estão quase precisando de medicação para isso).
Ninguém sabe ao certo de onde veio essa decisão de colocar agosto nesse paredão da impopularidade. Talvez tenha sido um mês ciumento, já que não tem feriado nacional, pois já passamos de carnaval e festas juninas (e algumas atrasadas em julho). Ou talvez a fama venha mesmo dos tempos antigos, quando os cães ficavam mais agitados por causa do calor no hemisfério norte. Mas aqui no Brasil, o máximo que eles fazem é latir para o motoboy ou correr atrás do carteiro — o que, convenhamos, é comportamento padrão o ano inteiro.
Agora, veja só: o mês é acusado de tudo — azarado, comprido, cansativo e até de enlouquecer os cachorros. Se agosto fosse uma pessoa, já tinha processado metade do país por difamação. Agora me veio uma pergunta: será que alguns ocupantes de cargos expressivos no cenário nacional se sentem “agosto”, e por isso seguem se vitimizando e processando os demais?
A verdade é que agosto virou um bode expiatório (ou seria um vira-lata expiatório?) para tudo que não dá certo no ano. Se algo falha, é culpa do mês. Se o pneu fura, se o celular quebra, se o time perde… “ah, é porque é agosto”. Conveniente, não?
Mas talvez o problema não seja o mês. Talvez a gente é que tenha mania de colocar a culpa no calendário quando a vida exige mais do que a gente está disposto a dar.
E no fim das contas, a gente precisa lembrar que tem muito mais poder do que imagina. O modo como encaramos os dias, como reagimos aos tropeços e como decidimos levantar faz toda a diferença. É sempre sobre escolha — e escolher ver o copo meio cheio é um ato de coragem em tempos de desânimo.
E se, em vez de amaldiçoar agosto, a gente aproveitasse esse mês “sem graça” para fazer algo com mais graça? Quem sabe tirar um plano da gaveta, mudar um hábito, ou só respirar fundo e seguir? Ta aí um bom motivo para você que leu até aqui mudar um hábito ou tomar uma atitude, e lembrar do futuro que tudo virou no mês de agosto.
Porque, no fim das contas, o tal desgosto não vem do mês. Vem da forma como a gente encara os dias. E se o cachorro ficou louco, a gente pode escolher se corre junto ou se ensina ele a sentar e esperar o biscoito.
Agosto pode até ter má fama. Mas quem decide o roteiro é você. Então borá lá mudar essa fama? (Foto: Reprodução)



