O mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (9) que planeja comunicar, entre hoje e amanhã, o envio de novas correspondências a nações a respeito do aumento de tarifas. O Brasil foi mencionado especificamente pelo republicano e, desta vez, fará parte dos países informados.
“Especificamente, o Brasil não tem nos tratado bem, de maneira alguma”, afirmou Trump a jornalistas durante uma reunião com líderes da África Ocidental na Casa Branca. “Vamos anunciar um dado relacionado ao Brasil, acredito que ainda hoje à tarde ou amanhã de manhã.”
Nesta quarta-feira, o republicano deu início ao envio de sua segunda rodada de cartas para informar seus parceiros comerciais. Ele estabeleceu tarifas mínimas para produtos importados, variando de 25% a 40%, conforme o país de origem, com início de vigência em 1º de agosto.
Na segunda fase, até o momento, foram informados pelo menos sete nações: Argélia, Brunei, Filipinas, Iraque, Líbia, Moldávia e Sri Lanka.
Somente na segunda-feira, o representante do partido republicano encaminhou os arquivos para 14 países. Na mesma data, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que “mais cartas estariam a caminho nos dias seguintes“.
Ao comentar sobre a mudança nas tarifas para itens importados do Brasil, Trump declarou que as novas taxas divulgadas se fundamentam em “evidências bastante sólidas” e em um “passado relevante”.
Confira a relação de nações que já obtiveram os documentos e os valores das taxas divulgadas por Trump até agora:
- África do Sul: três décimos
- Argélia: três décimos.
- Bangladesh: 35%
- Bósnia e Herzegovina: trinta por cento.
- Brunei: um quarto
- Camboja: 36%
- Cazaquistão: um quarto
- República da Coreia: 25%
- Filipinas: vinte por cento
- Indonésia: trinta e dois por cento
- Iraque: trinta por cento
- Japão: um quarto.
- Laos: quatro décimos.
- Líbia: 30 por cento
- Malásia: um quarto
- Mianmar: 40%
- Moldávia: um quarto
- Sérvia: 35 por cento
- Sri Lanka: trinta por cento
- Tailândia: 36 por cento
- Tunísia: um quarto
Ameaçando o Brics
Nesta terça-feira (8), o presidente dos Estados Unidos declarou que os países integrantes do Brics irão enfrentar uma taxa de 10% “em um futuro próximo“.
De acordo com o membro do partido republicano, o Brics estaria buscando minar os interesses dos Estados Unidos e substituir o dólar como a principal moeda utilizada globalmente.
“Se eles desejam entrar nessa disputa, não há problema, mas eu também tenho minhas habilidades”, declarou Trump a repórteres durante uma coletiva na Casa Branca. “Todo país que integrar o Brics terá um imposto de 10%, só por essa razão”, comentou, enfatizando que isso deve acontecer “em um futuro próximo”.
“Estão tentando desestabilizar o dólar para que outra nação possa ocupar seu lugar e estabelecer sua moeda como o novo referencial. A perda do status do dólar como moeda global seria comparável a sofrer uma derrota em uma importante guerra mundial. Não seríamos mais a mesma nação. E não permitiremos que isso ocorra”, acrescentou Trump.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarou que as nações do Brics atuam de maneira soberana.
“Não permitimos a interferência de ninguém“, afirmou Lula. “Apoiamos o multilateralismo.“.
A recente ação de Trump ocorre apenas um dia depois de o republicano ter advertido sobre a possibilidade de impor uma taxa extra de 10% sobre qualquer nação que se adere “às políticas antiamericanas” do Brics, em uma postagem em seu perfil no Truth Social.
Trump não esclareceu o que considera como “políticas contrárias aos interesses dos EUA“. Funcionários da administração americana afirmam que, neste momento, não há nenhuma ordem sendo formulada e que tudo dependerá das próximas ações do grupo.
Conclusão de acordos: pressão
O aumento das taxas sobre os produtos provenientes dessas nações suscita uma nova preocupação em relação à guerra comercial iniciada por Trump. O ex-presidente republicano tem buscado estabelecer acordos com seus aliados comerciais, mas até o momento, conseguiu apenas um entendimento preliminar com três países.
A distribuição das cartas representa mais uma estratégia para instigar os países a finalizarem acordos benéficos para os Estados Unidos. Além de serem encaminhadas aos líderes das nações, os textos também foram divulgados pelo republicano em sua conta na plataforma Truth Social.
Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos formalizou um decreto que postergou a reimplementação de suas tarifas para 1º de agosto. Inicialmente, as chamadas “tarifas recíprocas”, que impactaram mais de 180 nações, estavam programadas para ser restabelecidas nesta quarta-feira (9).
“As taxas começarão a ser cobradas a partir de 1º de agosto de 2025″, anunciou Trump na terça-feira, destacando que não haverá novas modificações. “Em resumo, todo o valor será exigido e deverá ser pago a partir de 1º de agosto de 2025 – não haverá extensão“, completou.
Trump havia declarado no domingo (6) que os Estados Unidos encaminhariam correspondências a seus sócios comerciais, detalhando os montantes de tarifas que essas nações teriam que arcar se não mantivessem negociações com a principal economia global. (Foto: Reuters)
Por Opinião em Pauta com informações do G1


