Na manhã desta terça-feira (8), a Polícia Federal (PF) está realizando um mandado de busca e apreensão na Câmara dos Deputados como parte de uma investigação sobre uma organização criminosa suspeita de cometer fraudes e desvio de verbas públicas no Ceará.
Um dos mandados está sendo executado no escritório do deputado federal Júnior Mano (PSB-CE).
Imóveis relacionados ao político em Brasília e no Ceará também estão sendo alvo de investigação, assim como bens pertencentes a mais cinco pessoas sob investigação.
A investigação, que ocorre em segredo no Supremo Tribunal Federal (STF), examina a malversação de verbas públicas através de emendas de deputados e fraudes em processos licitatórios relacionados a cidades do Ceará.
Em comunicado, a equipe de assessoria esclareceu que o deputado “não está envolvido de maneira alguma em processos de licitação, na gestão de despesas ou na supervisão de contratos administrativos” (veja a íntegra mais adiante).
Deputado Júnior Mano durante uma sessão na Câmara, em 12 de abril de 2023 — Imagem: Pablo Valadares / Câmara dos Deputados.
De acordo com as apurações, a organização ilícita desviava recursos públicos por meio de fraudes em licitações e contratos. Os montantes obtidos de forma ilegal teriam sido empregados para financiar campanhas eleitorais no Ceará, durante as eleições municipais do ano anterior.
A empresa está executando 15 ordens de busca e apreensão emitidas pelo ministro Gilmar Mendes, do STF. As operações estão sendo realizadas em Brasília e em cinco cidades do Ceará: Fortaleza, Nova Russas, Eusébio, Canindé e Baixio.
Além dos mandados, o STF permitiu a autorização para a quebra de sigilo de celulares confiscados e o congelamento de R$ 54,6 milhões em contas bancárias de indivíduos e empresas sob investigação.
De acordo com a Polícia Federal, a meta é frear a circulação de quantias provenientes de atividades ilegais e proteger os ativos, caso seja requisitada uma compensação.
A pesquisa recebeu suporte técnico da Controladoria-Geral da União (CGU).
Modus operandi
Segundo a Polícia Federal, o grupo sob investigação organizava a transferência de fundos públicos para algumas cidades do Ceará e, em contrapartida, uma fração desse dinheiro era redirecionada para pagamentos irregulares.
O grupo criminoso é igualmente acusado de intervir em processos licitatórios através de empresas associadas à sua rede.
As ações em análise estão relacionadas a delitos como formação de quadrilha, compra ilegal de votos, lavagem de recursos financeiros e falsificação de documentos com a intenção de influenciar eleições. (Foto: Pablo Valadares / Câmara dos Deputados)
Por Opinião em Pauta com informações do G1



