No relatório conclusivo da apuração referente à “Abin paralela”, a Polícia Federal (PF) declara que a administração atual da Agência Brasileira de Inteligência, designada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, buscou gerar um episódio político para pressionar o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a PF, a intenção dessa atuação seria dificultar as investigações acerca das infrações perpetradas pelos agentes durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dino, enquanto ocupava o cargo de ministro da Justiça durante o governo de Lula, foi quem decidiu que fosse realizada a investigação que originou o inquérito sobre a utilização inadequada do sistema First Mile.
A decisão foi implementada em janeiro de 2023, apenas 48 horas depois de a revista GLOBO publicar matérias indicando que a ferramenta tinha sido usada sem supervisão judicial ou institucional durante a administração de Bolsonaro.
No documento enviado ao STF, a Polícia Federal ressalta uma conversa realizada em outubro de 2023 entre dois membros da alta administração da Abin: Alessandro Moretti, que na época era o diretor-adjunto da agência, e Marcelo Furtado, então diretor do Departamento de Operações.
Durante a discussão, Furtado compartilha informações sobre um contrato referente à compra de uma ferramenta de inteligência pelo governo do Maranhão em 2017, quando Dino ocupava o cargo de governador.
Em resposta à solicitação, Flávio Dino informou, através de sua equipe de assessoria, que não fará comentários. A Abin também não se manifestou.
O relatório conclusivo da Polícia Federal a respeito da “Abin Paralela” revela que Luiz Fernando Corrêa, o atual diretor-geral da Abin, ocupou de forma indevida a função de diretor durante vários meses antes da sua nomeação formal. Além disso, ele também trabalhou para assegurar a proteção de um dos principais culpados pela deterioração da Abin, o ex-terceiro na hierarquia da organização, Paulo Maurício Fortunato Pinto.
Luiz Fernando tomou a liderança da Abin durante o governo de Lula, em um período que se seguiu ao emprego da agência para atacar opositores de Bolsonaro. Ele foi acusado pela polícia de obstruir ou dificultar a investigação, além de prevaricação e coação no decorrer do processo.
Na quarta-feira, Lula optou por manter Côrrea em sua posição. Segundo seus assessores, o presidente considerou que o indiciamento de Côrrea por si só não justificava a troca. De acordo com essas fontes, o Palácio do Planalto irá monitorar o progresso do processo a partir deste momento. (Foto: O Globo)
Por Opinião em Pauta com informações de O Globo



