Henrique Acker – O mundo assistiu surpreso a um ataque violentíssimo das Forças Armadas de Israel nesta quarta-feira, 8 de abril, em todo o Líbano, apesar do cessar-fogo de duas semanas já estar em vigor no Oriente Médio. O primeiro-ministro do Paquistão, país que mediou o acordo entre o Irã e os EUA, confirmou que o cessar-fogo seria imediato e inclui o Líbano.
“Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todas as partes, incluindo o Líbano e outros locais, COM EFEITO IMEDIATO”, publicou Shehbaz Sharif na Rede X, na manhã de 8 de abril.
Versão de Trump e Netanyahu
No entanto, contradizendo o anúncio paquistanês, Donald Trump e Benjamin Netanyahu se apressaram em afirmar que o conflito no Líbano não estava incluído no acordo do cessar-fogo.
A versão dos governos dos EUA e de Israel se choca com a realidade, visto que os ataques de Israel ao Líbano se intensificaram nas últimas semanas, sob a alegação de que o Hezbollah estaria bombardeando território israelense em apoio ao Irã.
Foram contabilizados 254 mortos e 830 feridos em todo o território libanês. As Forças Armadas de Israel confirmaram que os alvos foram regiões de Beirute, o vale de Bekaa e o sul do país, visando centros de comando e infraestruturas militares do Hezbollah.
Irão volta a fechar Ormuz
O Hezbollah reagiu e em comunicado oficial afirmou que “os massacres de hoje, como todos os atos de agressão e crimes hediondos, confirmam nosso direito natural e legal de resistir à ocupação e responder à sua agressão”.
A Presidência libanesa denunciou que os bombardeios violam acordos internacionais e compromissos previamente estabelecidos, acusando Israel de desrespeitar normas globais de conduta. Do início do conflito até o ataque de 8 de abril, pelo menos 1.530 pessoas já haviam morrido e 4.812 ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde do Líbano.
Em resposta aos ataques de Israel, o Irã voltou a fechar a navegação no Estreito de Ormuz e ameaçou romper cessar-fogo e retaliar a ofensiva israelense no Líbano.
Autoridades iranianas afirmaram que suas forças armadas já estão definindo possíveis alvos para responder às agressões e alertaram que, caso os Estados Unidos não consigam conter Israel, o Irã atuará “com força”.
Netanyahu sob pressão
Os ataques de 8 de abril não só ameaçam o cessar-fogo entre os EUA e o Irã, mas revelam a estratégia do governo sionista de Benjamin Netanyahu e a extrema-direita israelense na região: aproveitar o conflito entre EUA e Irã para avançar sobre o território libanês e consolidar o domínio da Cisjordânia palestina.
No entanto, apesar do sinal verde de Trump para que Israel siga atacando o Líbano, Netanyahu parece enfraquecido perante a opinião pública de seu país, visto que o governo de Tel Aviv sequer participou das negociações de cessar-fogo mediadas pelo Paquistão.
Ao mesmo tempo, o sistema de proteção de Israel foi superado por constantes bombardeios e o governo do Irã continua de pé. Netanyahu também foi forçado a reconhecer que o Irã não possui as condições para produzir armas atômicas, ao contrário do que sempre afirmou.
Proposta de paz
Conheça os dez pontos da proposta de paz do Irã, que levaram a um cessar-fogo de duas semanas entre os EUA e o Irã, mediado pelo Paquistão:
. Os EUA devem se comprometer, em princípio, a garantir a não agressão;
. Manutenção do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz;
. O direito do Irã ao enriquecimento de urânio deve ser aceito;
. Suspensão de todas as sanções primárias;
. Suspensão de todas as sanções secundárias;
. Encerramento de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU;
. Encerramento de todas as resoluções do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica;
. Pagamento de indenização pelos danos infligidos ao Irã;
. Retirada das forças de combate dos EUA da região;
. Cessação da guerra em todas as frentes, inclusive contra a “resistência islâmica” no Líbano.
Na imagem destacada, ataques de Israel atingiram Beirute, capital do Líbano, causando 254 mortes e centenas de feridos. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações da Al Jazeera, CNN Brasil, Carta Capital e G1.



