Por que será que a Proposta de Emenda Constitucional da blindagem (ou da bandidagem) para os políticos foi aprovada em caráter de urgência na Câmara dos deputados, sem sequer ser analisada nas comissões?
Por que será que a PEC da bandidagem estende a impunidade parlamentar aos presidentes de partidos? Por que será que Eduardo Bolsonaro – o deputado fantasma – foi promovido a líder da oposição na Câmara?
As mudanças foram votadas horas antes de vir a público uma entrevista do piloto do jatinho da empresa que transportava regularmente “Beto Louco” e “Primo”, relacionando atividades no mínimo suspeitas entre representantes do Primeiro Comando da Capital com os presidentes do PP e do União Brasil.
Chantagem contra o STF
Pode parecer especulação ou mera coincidência, mas em se tratando de Congresso Nacional e de Centrão tudo é possível. Em Brasília os poderes se cruzam nos cafés, em recepções e jantares, o que faz com que os segredos de Estado sejam quebrados nas conversas informais entre parlamentares, servidores, assessores, policiais e mídia.
Ainda que não sejam referendadas pelo Senado, como afirmam alguns líderes de partidos, as PEC da bandidagem e da anistia servirão de instrumentos de pressão contra o STF, acusado de impor uma “ditadura da toga”. Não por acaso, as bancadas do Centrão e do bolsonarismo se aliaram para defender as duas mudanças constitucionais.
No Supremo, o ministro Flávio Dino segue mandando apurar irregularidades envolvendo a distribuição de recursos públicos em emendas parlamentares, o que incomoda os negócios da bancada do Centrão. Por sua vez, Alexandre de Moraes toca com firmeza os processos contra os golpistas de 8 de janeiro de 2023, apertando os calos dos bolsonaristas.
Caso a decisão de barrar por inconstitucionalidade as PEC da bandidagem e da anistia recaia sobre o STF, os ministros da Suprema Corte serão mais uma vez acusados de querer impor uma “ditadura da toga” e cercear o livre exercício dos mandatos parlamentares.
PP e União Brasil desembarcam do governo
A gravidade das denúncias que associam as atividades dos presidentes do União Brasil e do PP ao PCC é tamanha, que os dois só veem como tábua de salvação abandonar o governo Lula e cerrar fileiras na oposição com o bolsonarismo. Afinal, ninguém viaja dezenas de vezes em jatinhos de ninguém por acaso.
O transporte de sacolas de dinheiro para Ciro Nogueira, as referências a encontros com o presidente do PP e a quantidade de aeronaves atribuídas a Antônio Rueda, sempre à disposição de Beto Louco e Primo – responsáveis pela lavanderia do PCC -, são elementos gravíssimos para as apurações da PF na Operação Carbono Oculto e para a vida política do país.
Juntos, PP e União Brasil formam o maior bloco parlamentar no Congresso, com mais de 100 deputados. Juntos, controlam cerca de 20% do fundo partidário e são responsáveis por boa parte das emendas parlamentares.
Farra do boi
A Federação entre PP e União Brasil recebe a maior fatia do bolo do Fundo Partidário. Este ano os dois partidos juntos receberam R$ 110 milhões no primeiro semestre de 2025.
As emendas pix (ou individuais) com envio direto de parlamentares para municípios, alcançaram valor recorde em 2024. Deputados e senadores destinaram R$ 7,7 bilhões, número quase 13 vezes maior do que os R$ 621 milhões de 2020.
União Brasil e do Progressistas estão entre os cinco partidos cujos parlamentares mais distribuíram recursos através de emendas a municípios no ano de 2024. Em 2024, o total de emendas parlamentares individuais e de bancadas dos estados somam cerca de R$ 40 bilhões. Este ano, os valores devem chegar a mais de R$ 50 bilhões.
Presidentes milionários
Antônio Rueda, presidente do União Brasil, por sinal teve um crescimento vertiginoso em seu patrimônio nos últimos quatro anos. Só os aviões atribuídos a ele somam mais de R$ 60 milhões (dados da ANAC).
Rueda e sua esposa adquiriram uma McLaren modelo 2023, dois Porsches (um 911 Targa e um Taycan), duas Mercedes-Benz e uma Land Rover. Apenas em veículos, o casal soma pelo menos R$ 8,7 milhões, segundo valores da tabela Fipe.
O casal também adquiriu dois terrenos e uma casa de alto padrão no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. As aquisições totalizam cerca de R$ 9,8 milhões em investimentos imobiliários.
De acordo com o portal Congresso em Foco, em sua mais recente declaração de bens, o senador Ciro Nogueira apresentou um patrimônio de R$ 23,3 milhões, sendo R$ 19,27 milhões em participações societárias (empresas) e R$ 2,8 milhões em uma aeronave. (Fotos: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do portal Congresso em Foco, portal do TSE, portal Metrópoles, revista Veja e CNN Brasil.



