Ucrânia pode ceder “terras raras” aos EUA pela paz com a Rússia

Henrique Acker  – Diante do avanço de tropas russas na região do Donbass e da dificuldade do exército da Ucrânia em combater na região de Kursk, é cada vez mais provável o anúncio de conversações para pôr fim à guerra entre os dois países. O conflito completará três anos este mês.

O deputado do parlamento russo, Viktor Vodolatsky, informou à Agência de Notícias Ria Novosti que a cidade de Pokrovsk, essencial na manobra estratégica da Ucrânia na região de Donetsk, está sob cerco total das tropas russas.

De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, seu exército frustrou os planos de nova ofensiva ucraniana na direção das povoações de Cherkasskaya Konopelka e Ulanok, região fronteiriça de Kursk.

 

Trump admite conversas pela paz

O noticiário das emissoras de TV nas últimas semanas dá conta de bombardeios diários de drones e mísseis não só em Kiev, mas em outras cidades da Ucrânia, confirmando a intensificação dos ataques da Rússia.

Aguarda-se para a próxima semana a apresentação de uma proposta do governo dos EUA para pôr fim ao conflito. O anúncio deve ser feito por Keith Kellogg, enviado especial de Trump para a Ucrânia e a Rússia, na Conferência de Segurança de Munique, entre os dias 14 e 16 de fevereiro.

“Estamos tendo conversas muito boas, conversas muito construtivas sobre a Ucrânia e estamos conversando com os russos, conversando com a liderança ucraniana”, disse Trump a repórteres em entrevista coletiva, no dia 3 de fevereiro. O presidente dos EUA em momento algum citou a União Europeia e se sua proposta será negociada com os líderes europeus.

 

Negócios em vista

 

Trump não esconde o interesse na exploração de riquezas minerais das chamadas “terras raras” da Ucrânia (mapa acima) , um grupo constituído por 15 metais utilizados na indústria automóvel, telefônica e outras indústrias eletrônicas. A Ucrânia possui grandes depósitos de urânio, lítio e titânio.

A exploração dessas reservas naturais pode virar moeda de troca para uma proposta de paz que assegure os interesses do governo de Volodymyr Zelensky. “Estamos investindo bilhões de dólares. Eles têm excelentes ‘terras raras’. Quero a sua segurança e eles estão dispostos a dá-la”, declarou Donald Trump sobre os contatos com o governo ucraniano.

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sibiga, lembrou que o plano de paz do presidente Volodymyr Zelensky inclui uma cláusula sobre os recursos naturais da Ucrânia e a possibilidade dos parceiros de Kiev investirem na sua exploração.

Na região do Donbass, praticamente toda ocupada pela Rússia, é considerada a mais industrializada e rica da Ucrânia. Em seu subsolo estão reservas de carvão mineral e gás.

 

Russos descartam trégua e pedem solução do conflito

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, rechaçou qualquer proposta de trégua temporária ou de congelamento do conflito, o que vem sendo aventado por alguns líderes europeus.

“O Ocidente coletivo e seus representantes individuais usarão isso para aumentar o potencial militar do regime de Kiev e, claro, para buscar uma revanche militar armada”, afirmou Zakharova em entrevista coletiva em 6 de fevereiro.

Zakharova acusou o governo de Zelensky de vender seu país. “Com a ajuda do regime corrupto de Kiev, eles (os EUA) conseguiram pôr as mãos em terras agrícolas, incluindo terras férteis, sem muito esforço. Agora que eles se apoderaram desse solo fértil, os patrocinadores do regime de Kiev estão procurando o que mais sobrou por lá”, disse ela.

Enquanto os países ligados à OTAN pediram uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para o dia 24 deste mês, data da invasão da Ucrânia, a Rússia quer que o encontro seja antecipado para o dia 17. A data proposta por Moscou coincidiria com o dia do reconhecimento pela ONU dos acordos de Minsk (*).

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(*) O Acordo Minsk 1, assinado em setembro de 2014, estabelecia um cessar-fogo entre o exército ucraniano e os separatistas russos. Tinha 12 pontos, que não foram respeitados. Incluía uma “zona-tampão” na fronteira entre os dois países.

O Acordo Minsk 2 foi discutido e assinado a 12 de fevereiro de 2015. Pretendia acabar com os combates em Donbass e reintegrar as regiões separatistas apoiadas pela Rússia. Previa uma nova Constituição ucraniana, com a descentralização de Donetsk e Lugansk.

Concedia o direito à “autodeterminação linguística”, a nomeação de procuradores e juízes, a intervenção de autoridades locais e a cooperação entre regiões ocupadas. Estavam ainda previstas eleições locais. Em contrapartida, a Ucrânia tinha de retomar o controle da fronteira com a Rússia.

 

Por Henrique Acker (correspondente internacional)

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Fontes:

AQUI      A      AQUI  

Entrevista com porta-voz russa

Acordos de Minsk

 

 

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