Henrique Acker – Em declaração publicada em sua rede social, o presidente Donald Trump anunciou em 6 de janeiro que o governo venezuelano “entregará entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade, sujeito a sanções, aos Estados Unidos da América”.
A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 7 de janeiro, pelo principal canal de notícias venezuelano. A Tele Sur refere-se ao anúncio de Donald Trump como uma compra de petróleo venezuelano “que está bloqueado pelas medidas coercitivas unilaterais impostas por Washington”.
EUA teriam controle
Por sua vez, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que “qualquer dinheiro obtido com a venda do petróleo venezuelano vai ser controlado pelos EUA”. A declaração foi dada numa conferência promovida pelo mercado financeiro, em Miami.
“Vamos vender esse petróleo a refinarias dos EUA e do mundo para garantir melhores suprimentos”, confirmou o secretário.
“Essas vendas vão ser realizadas pelo governo e o dinheiro obtido será depositado em contas controladas pelo governo dos EUA. A partir daí serão criados fundos que poderão retornar à Venezuela para beneficiar o povo venezuelano”, disse Wright.
Trump quer parceria com petrolíferas
O secretário de Energia admitiu que levará um tempo e um investimento de dezenas de bilhões de dólares para a Venezuela recuperar a capacidade plena de produção de petróleo, por conta do sucateamento de seu parque de extração. Ele afirmou que os EUA podem viabilizar uma parte da estrutura necessária.
Segundo Wright, o governo Trump estaria discutindo com o governo bolivariano e as maiores petrolíferas estadunidenses maneiras de compensar as empresas por investirem na Venezuela.
Atualmente a Venezuela consegue extrair um bilhão de barris/dia ou 0,8% da produção diária global de petróleo, apesar de possuir a maior reserva do mundo, estimada em 303 bilhões de barris.
Plano em três etapas
A proposta do governo estadunidense visa estrangular o atual fornecimento de petróleo da Venezuela para a China e a Rússia, dentro da recuperação da Doutrina Monroe, que estabelece o princípio da “América para os americanos”.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, confirmou as negociações com o governo da Venezuela, como parte de um plano de três etapas do governo Trump. Segundo ele, haveria uma fase inicial de estabilização, passando a uma fase de recuperação e a uma terceira, de transição.
Estudiosos de conflitos ligados à disputa por petróleo levantam a hipótese de o governo Trump estar reeditando o chamado “petroimperialismo”. O termo é uma alusão ao tempo em que o governo norte-americano pressionava os países produtores para fornecimento do petróleo, até meados da década de 50 do século passado.
Foi o que ocorreu no Irã, em 1953, quando a CIA e a MI-6 da Inglaterra ajudaram a derrubar o governo que anunciou planos de nacionalização da produção de petróleo.
Governo venezuelano mantém silêncio
O governo Trump deve realizar uma reunião para discutir o plano com representantes das principais empresas petrolíferas dos EUA na próxima sexta-feira, 9 de janeiro.
Até agora a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, não fez qualquer menção direta sobre as afirmações de Trump e Rubio de que estariam ocorrendo negociações.
“Parem com o assédio à Venezuela, parem com a agressão contra o povo de Bolívar”, advertiu Rodríguez nesta terça, 6 de janeiro. A dirigente enfatizou que “existe um governo constitucional” e que “aqui, quem governa é o povo”.
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações da jornalista Priscila Yazbek (CNN Brasil), Tele Sur e R7.


