Trump exige que China e aliados liberem Estreito de Ormuz

Henrique Acker – A travessia do Estreito de Ormuz, trecho estratégico da rota de navios petroleiros que abastecem no Oriente Médio, passou a ser o maior desafio do governo Trump na guerra com o Irã. Normalmente, entre 50 e 80 navios carregando 21 milhões de barris transitam por Ormuz todos os dias, o que equivale a 25% da produção mundial de petróleo.

O governo iraniano mantém o estreito sob vigilância desde o início dos ataques dos EUA e Israel, em 28 de fevereiro. Teerã liberou a passagem de alguns cargueiros por Ormuz, mas continua vetando a rota a navios com bandeiras de países que apoiam ou são aliados dos governos dos EUA e Israel.

 

Declarações contraditórias

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, negou à Agência France Press que o Irã esteja instalando minas na via marítima. “Alguns países já falaram conosco sobre atravessar o estreito e nós cooperamos com eles”, declarou.

Já o presidente Donald Trump declarou em 13 de março que a marinha dos EUA estaria pronta para fazer a escolta de navios petroleiros que transitam por Ormuz. No entanto, em entrevista anterior à rede CNBC, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, negou essa possibilidade. “Simplesmente não estamos preparados”, declarou Wright.

“Todos os nossos recursos militares estão, neste momento, concentrados em destruir as capacidades ofensivas do Irã e a indústria manufatureira que as abastece”, afirmou taxativamente o secretário de Energia.

 

 

Pressão sobre aliados e China

No domingo, 15 de março, Donald Trump criticou seus aliados da OTAN pela falta de entusiasmo em apoiar militarmente os EUA no conflito do Oriente Médio. E ainda colocou em dúvida o futuro da aliança militar. “Se não houver resposta ou se a resposta for negativa, acho que será muito ruim para o futuro da Otan”, disse o republicano.

“Esta guerra não tem nada a ver com a Otan. Não é a guerra da Otan”, afirmou o porta-voz do governo alemão Stefan Kornelius em coletiva de imprensa, em 16 de março, em resposta à pressão de Trump.

O presidente dos EUA também pressiona a China para que interceda na normalização do tráfego de embarcações em Ormuz. Em entrevista ao jornal Financial Times, Trump declarou que o encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, pode ser adiado se o governo chinês não se envolver na busca de uma solução para o impasse.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, confirmou que os dois governos ainda mantêm comunicação sobre a ida de Trump a Pequim, prevista para 31 de março. Jian declarou que a reunião entre os chefes de Estado “desempenha um papel estratégico insubstituível nas relações entre a China e os EUA”.

 

Petróleo em alta

Trump disse ao Financial Times que a OTAN enfrenta um futuro “muito ruim” caso seus membros não ajudem, e que “Israel está trabalhando com os EUA para garantir” a segurança do Estreito. A rede de TV Times Brasil informou que cerca de 150 navios permanecem fundeados nas águas do Golfo de Omã.

Enquanto o impasse em torno de Ormuz persiste, o preço do barril de petróleo voltou a atingir a média de 100 a 106 dólares no mercado internacional. A subida influencia diretamente os combustíveis e pressiona os preços de todas as mercadorias, elevando a inflação na maioria dos países.

No entanto, o próprio Trump sugeriu que os EUA se beneficiam da alta de preços. “Os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo, então, quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro”, escreveu Trump nas suas redes sociais. (Fotos: Reprodução)

Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do R7, O Globo, Haaretz e Poder 360.

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