Os democratas de Wisconsin revitalizaram o partido ao responder energicamente ao bilionário Elon Musk, que se intrometeu de forma descarada na competição pela posição de um juiz na Suprema Corte. Ele fez doações e organizou eventos em apoio ao seu candidato conservador, Brad Schimel.
A juíza Susan Crawford assegurou seu lugar no tribunal com uma margem de 10 pontos. Em última análise, a votação se traduziu em um referendo a respeito de Musk e Trump, que não estavam nas cédulas, mas sofreram uma derrota significativa em Wisconsin, um dos estados-chave que, em novembro do ano passado, elegeu o republicano com uma diferença inferior a 1 ponto.
“Wisconsin se pronunciou, afirmando em tom elevado que a Justiça não pode ser comprada. Segundo a juíza Crawford, nossos sistemas judiciais não estão disponíveis para negociação”, afirmou ela após a contagem dos votos.
A reação dos democratas em Wisconsin mostrou que a crítica ao bilionário é uma oportunidade a ser aproveitada em todo o país, a ponto de a campanha ter sido chamada de “O Povo contra Musk“. A tática para conter o bilionário funcionou, trazendo satisfação aos líderes do partido após a primeira derrota eleitoral de Trump em dez semanas no cargo.
Conforme destacou Ben Wickler, líder do partido local, a votação evidencia que tanto o magnata quanto o presidente ultrapassaram os limites: “Todo político que se ligue a eles pode estar no caminho do término de sua trajetória política.”
O resultado das eleições garante à Suprema Corte do estado sua atual formação, com uma maioria de 4 a 3 em favor dos magistrados vistos como progressistas, o que pode impactar decisões sobre aborto, demarcação de distritos eleitorais e questões relacionadas ao poder sindical.

Composição partidária
“Os habitantes de Wisconsin repudiaram de maneira clara a influência de Elon Musk, Donald Trump e de bilionários com interesses especiais, afirmando: “Mantenham-se fora de nossas eleições e distantes de nossos tribunais“, comemorou o presidente do Comitê Nacional Democrata, Ken Martin.“.
Para os republicanos, reconquistar a maioria conservadora na corte estadual era uma meta fundamental. A derrota serviu como um sinal de alerta na Casa Branca e na sede do partido em relação às eleições de meio de mandato que ocorrerão no próximo ano, as quais podem alterar a composição do Congresso e impedir a avalanche de ordens executivas.
Wisconsin apresentou nas eleições o primeiro sinal tangível de oposição popular ao segundo mandato de Trump, assim como às políticas de cortes implementadas por Musk e seu polêmico Departamento de Eficiência Governamental.
Na imagem destacada, a juíza Susan Crawford, candidata à Suprema Corte de Wisconsin apoiada pelos democratas, fala com apoiadores depois que os eleitores a elegeram para a Suprema Corte do estado ( Foto: REUTERS/Vincent Alban)