Bia Cardoso (Brasília DF) – Era manhã de sábado, por volta das 7h, quando um grupo de motociclistas seguia com entusiasmo para um encontro em Rondon do Pará. Homens e mulheres apaixonados pela estrada, pela velocidade com propósito, pela irmandade que só quem vive sobre duas rodas é capaz de compreender. Mas eles não puderam chegar ao destino. Quatro vidas foram ceifadas em um trágico trecho da rodovia, marcando a cidade com dor, comoção e um profundo sentimento de perda. O barulho dos motores deu lugar ao silêncio, e o que era para ser um fim de semana de celebração se transformou em despedida e saudade.
As vítimas
Entre os mortos estão Caio Leonardo, servidor da Secretaria da Fazenda do Estado do Pará (SEGFAZ), conhecido entre colegas pelo profissionalismo e alegria constante; e Erisvan Bezerra da Silva, sargento aposentado da Polícia Militar de Marabá, respeitado por sua trajetória de serviço e pela paixão pelas motos. Erisvan foi um amigo querido, que durante quatro anos conviveu de perto com a nossa família. Recebemos a notícia com profunda tristeza.
Também perderam a vida Beatriz Cardoso e Dorivan Soares, casal que fazia sua primeira viagem com o grupo de motociclistas. Amigos relataram que estavam radiantes com a oportunidade de participar do percurso, que simbolizava liberdade, companheirismo e paixão por estrada.

Uma comunidade em pranto
A notícia do acidente se espalhou rapidamente pelas redes sociais e grupos de WhatsApp, causando comoção em Marabá e nos municípios vizinhos. Velórios e despedidas reuniram familiares, amigos e colegas de profissão. Em meio às homenagens, o sentimento era unânime: a dor da perda precoce e a indignação com os perigos das estradas da região.
A BR-222, já conhecida pelos altos índices de acidentes, volta a ser cenário de tragédia. Moradores e lideranças comunitárias cobram medidas mais rigorosas de segurança, manutenção e fiscalização no trecho.
Mais que números, histórias interrompidas
As vítimas não eram apenas estatísticas em mais um acidente de trânsito: eram trabalhadores, pais, filhos, colegas, sonhadores. Pessoas que encontravam na irmandade sobre duas rodas um espaço de liberdade e encontro. Suas histórias agora se tornam parte da memória coletiva de uma cidade que chora. O som dos motores silenciou. E, no lugar do ronco das motocicletas, ecoa o choro de quem ficou.
O acidente
Quando o grupo de motociclistas seguia pela BR-222, à frente deles ia um caminhão prancha transportando uma retroescavadeira. Em uma curva, a máquina se desprendeu do veículo e tombou na pista exatamente no momento em que o grupo passava. A maioria conseguiu desviar a tempo, mas quatro jovens motociclistas não tiveram a mesma sorte. Colidiram com a pesada carga e, em seguida, houve uma explosão. Os quatro perderam a vida no local, de forma instantânea, com os corpos carbonizados. Uma tragédia que mergulhou famílias e amigos em profunda dor.



