Tarifaço de Trump esconde ação da CIA em conjunto com Bolsonaro para golpe contra Lula

De acordo com jornalista Jamil Chade, a inteligência do Brasil observa a ação dos Estados Unidos para minar a estabilidade de Lula, contando com o suporte de Eduardo Bolsonaro e dos bolsonaristas no exterior.

 

Membros da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estão em atenção ao notar sinais de que as ações recentes ligadas ao bolsonarismo vão além de esforços isolados de grupos extremistas locais, sendo parte de um esquema organizado com suporte direto dos Estados Unidos.

De acordo com Jamil Chade, do Vero Notícias, uma crescente crença entre os agentes da inteligência brasileira de que a tática para desestabilizar a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) envolve a participação da CIA e a aprovação da Casa Branca, durante a gestão do presidente Donald Trump.

A manifestação mais clara dessa ofensiva seria o que se denomina “tarifaço” aplicado ao Brasil por Trump, junto a um discurso hostil em relação ao governo brasileiro e ao fechamento de canais de diálogo diplomático. Segundo analistas, essas ações representariam apenas a expressão visível de uma operação mais abrangente, originada nos serviços de inteligência dos EUA e conduzida por figuras centrais do bolsonarismo.

“Este é um exemplo clássico de um plano desenvolvido pela CIA, que capacita agentes locais para legitimizar uma prioridade estratégica de uma potência estrangeira”, declarou um funcionário da Abin que está em missão fora do país.

Eduardo Bolsonaro intensifica suas ações sob segurançaUm dos principais indícios de que algo mais significativo está se desenrolando é o comportamento cada vez mais agressivo e provocador do deputado afastado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), conforme aponta a Abin. Nas últimas semanas, ele aumentou suas críticas à Polícia Federal, a membros do Supremo Tribunal Federal e ao Congresso Nacional, adotando uma postura confrontadora e disseminando desinformação, sem mostrar preocupação com possíveis consequências.

De acordo com membros do serviço de inteligência, essa atitude revela uma sensação de amparo internacional. O paralelo com o movimento de Trump é evidente: nos Estados Unidos, Trump e seus seguidores operam com a narrativa de “liberdade contra o sistema”, e agora esse mesmo roteiro é aplicado ao Brasil, onde os Bolsonaro assumem a posição de mártires de um alegado regime autoritário.

Conforme analisam os especialistas, a história elaborada apresenta um enredo tradicional: um ex-chefe de Estado aparentemente “apreciado pela população” (Jair Bolsonaro), “refugiados” alvo de perseguições políticas (a exemplo de Eduardo, Allan dos Santos e Paulo Figueiredo) e “tiranos” que tomam o controle (representados por Lula e Alexandre de Moraes).

O termo central é desestabilização”, advertiu um veterano da área de inteligência. Ele explicou que a meta é enfraquecer a administração brasileira, criando as condições para que, em 2026, os Estados Unidos tenham um parceiro fiel no governo de Brasília.

Aviso desprezado pelas autoridadesNo mês de agosto de 2024, antes das eleições nos Estados Unidos, diplomatas do Brasil elaboraram um levantamento dos indivíduos influentes que poderiam desempenhar papéis em um potencial segundo mandato de Trump. A sugestão era estabelecer diálogos com esses atores para evitar conflitos futuros.

A Abin propôs, inclusive, a criação de um perfil psicológico de Trump, com o intuito de reconhecer características pessoais e fraquezas que poderiam ser utilizadas em negociações diplomáticas. No entanto, essas sugestões permaneceram arquivadas nas dependências do Itamaraty e do Palácio do Planalto, sem serem colocadas em prática.

Atualmente, com os primeiros indícios tangíveis de uma ação em andamento, membros da diplomacia acreditam que a nação poderá passar por um extenso período de instabilidade. A aplicação de sanções financeiras, estratégias de desinformação e a manipulação de plataformas sociais estão sendo utilizadas para gradualmente formar a narrativa de que um governo eleito não possui legitimidade.

“É necessário apenas um equivalente brasileiro a Juan Guaidó para que se torne evidente a tentativa de golpe“, comentou um diplomata veterano, aludindo ao dirigente da oposição na Venezuela que conta com o respaldo dos Estados Unidos. (Foto: Ricardo  Stuckert)

 

Por Opinião em Pauta com informações do jornalista Jamil Chade

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