Nesta quarta-feira (23), ocorreu a prisão de seis advogados durante a Operação Entre Lobos, uma ação promovida em parceria pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) de cinco estados. No total, 13 mandados de prisão e 35 ordens de busca e apreensão foram executados.
No total, há 17 indivíduos sob investigação por fazer parte de uma quadrilha criminosa acusada de prejudicar mais de mil idosos, causando perdas que ultrapassam dezenas de milhões de reais, conforme informações do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que iniciou a apuração que levou à operação Entre Lobos.
As ordens judiciais foram executadas em 13 cidades nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Justiça ordenou o congelamento de até R$ 32 milhões em contas bancárias, além da apreensão de 25 automóveis.
Uma pesquisa preliminar revelou 215 pessoas afetadas pelo esquema ilegal, totalizando perdas de pelo menos R$ 5 milhões. No entanto, há sinais de que mais de mil indivíduos podem ter sido prejudicados, e que o valor total das perdas possa ultrapassar R$ 30 milhões, conforme indicam as investigações do MPSC. A faixa etária média das vítimas é de 69 anos.
Os suspeitos, além de fazer parte de uma rede criminosa que opera entre estados, enfrentam acusações de fraude, ocultação de bens ilícitos e patrocínio infiel, que ocorre quando um advogado quebra a confiança depositada pelo cliente, agindo de forma prejudicial em vez de resguardar os interesses daquele que o contratou.
A operação tinha à frente cinco advogados, todos detidos temporariamente. Dois foram capturados em Fortaleza, outros dois em Salvador, e um último em Chapecó, Santa Catarina.
Um dos advogados detidos foi identificado pelos pesquisadores do Gaeco de Santa Catarina como o idealizador do esquema, exercendo influência sobre os aspectos operacionais e a atuação online do grupo criminoso.
As atividades que visaram advogados e escritórios de advocacia contaram com a presença de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de acordo com as atribuições da profissão.
Estratégia de abordagem
Os integrantes do grupo criminoso abordavam os idosos tanto em suas residências quanto nas ruas e também pela internet, utilizando um falso Instituto de Defesa do Aposentado e Pensionista (IDAP), que foi criado exclusivamente para atrair as vítimas para o esquema.
Sem uma compreensão adequada do que estava acontecendo, as vítimas eram induzidas a assinar contratos de transferência de créditos judiciais por montantes muito inferiores aos que deveriam receber em processos relacionados à revisão de contratos bancários.
Os contratos eram firmados em nome de duas empresas fictícias: a Ativa Precatórios, localizada em Pinhalzinho (SC), e a BrasilMais Precatórios, situada em Fortaleza. Além disso, foram detectadas outras estratégias agressivas de atração de clientes em estados como Alagoas e Rio Grande do Sul. (Foto: Ministério Público SC/Divulgação)
Por Opinião em Pauta com informações do MPE



